
O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, publicou um vídeo exibindo a construção de um complexo com forcas onde palestinos condenados por crimes de terrorismo poderão ser executados. A medida não se aplica, na prática, a extremistas judeus condenados por crimes semelhantes.
No vídeo, Ben-Gvir aparece visitando o local, ainda em obras, e aponta para as fundações enquanto afirma que será ali que “terroristas serão executados”. Segundo o ministro, o complexo terá inclusive espaços para que familiares das vítimas possam assistir às execuções.
“Prometi piorar as condições dos terroristas nas prisões — cumprimos. Prometi aprovar a Lei da Pena de Morte para Terroristas — cumprimos. E agora o corredor da morte e a instalação de enforcamento também começam a tomar forma”, afirmou.
A construção ocorre após a aprovação, neste ano, de uma lei que determina a aplicação da pena de morte como sentença para palestinos condenados por determinados crimes de terrorismo nos tribunais militares israelenses. A legislação permite prisão perpétua apenas quando o tribunal reconhecer circunstâncias especiais.
A lei é considerada discriminatória porque, na prática, protege cidadãos judeus da pena de morte. Uma de suas disposições restringe a aplicação da execução a homicídios cometidos com a “intenção de negar a existência do Estado de Israel”.
Ben Gvir, ministro de interior de Israel: “Prometí aprobar una ley de pena de muerte para los palestinos y lo hice, ahora estoy construyendo una instalación para ejecutarlos, pondré cámaras y se podrá ver cómo mueren en directo”.
Psicópatas genocidas.pic.twitter.com/wjsiHQAnsI— Julián Macías Tovar (@JulianMaciasT) August 19, 2026
Ben-Gvir comemora pena de morte
Principal defensor da nova legislação, Ben-Gvir tem histórico de declarações e ações extremistas. O ministro já foi condenado por incitação ao racismo, interferência no trabalho de um policial e apoio à organização terrorista Kach, movimento fundado pelo extremista judeu Meir Kahane.
Em maio, ao completar 50 anos, Ben-Gvir chegou a comemorar o aniversário com um bolo decorado com uma forca.
A lei da pena de morte foi aprovada pelo Parlamento israelense por 62 votos a 48 e provocou condenações internacionais. A Anistia Internacional afirmou que a legislação elimina salvaguardas fundamentais contra a privação arbitrária da vida e aprofunda a discriminação contra palestinos.
Ben-Gvir também passou a ser alvo de sanções da França e da Irlanda, além das medidas adotadas pelo Reino Unido no ano passado.
Ministro volta a defender mortes em Gaza
Dias antes da divulgação do vídeo, Ben-Gvir havia provocado nova reação internacional ao defender assassinatos em massa em Gaza.
“Deveríamos fazer de 30 a 40 assassinatos direcionados por noite”, declarou. Ele acrescentou que não deveriam ser mortos apenas aqueles que representassem uma ameaça imediata e afirmou que havia pessoas em Gaza que “não merecem viver”.
O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, classificou as declarações como “inaceitáveis e desumanas”. O chanceler alemão, Friedrich Merz, também condenou os comentários, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou as falas de “chocantes”, “desumanizadoras” e “perigosas”.
A divulgação do projeto das forcas ocorre ainda em meio à crescente pressão internacional contra as políticas do governo israelense nos territórios palestinos, incluindo a expansão de assentamentos na Cisjordânia.