
Mark Ruffalo voltou a atacar a fusão entre Paramount e Warner Bros. e criticou as ligações da família Ellison com a Oracle, empresa de tecnologia fundada por Larry Ellison, pai de David Ellison, que está à frente da aquisição da Warner Bros.
Na sexta-feira, o ator indicado quatro vezes ao Oscar compartilhou um vídeo de Safra Catz, vice-presidente-executiva da Oracle, no qual ela fala sobre tecnologias desenvolvidas pela empresa e disponibilizadas às Forças Armadas de Israel em meio ao genocício em Gaza.
Ruffalo relacionou o conteúdo ao empresário Larry Ellison, aliado de Donald Trump. “Esta é a empresa que Larry Ellison está usando para financiar a aquisição da Warner Bros. por seu filho David”, escreveu o ator. Ruffalo acrescentou seu próprio comentário e disse que o massacre dos palestinos “foi construído sobre um sistema de opressão de apartheid, alimentado pela Oracle”.
Segundo Ruffalo, tecnologias desenvolvidas pela empresa poderão acabar incorporadas a um dos maiores conglomerados de mídia do mundo. Ele também chamou Ellison de “oligarca” e criticou a concentração de riqueza e poder nas mãos de grandes grupos empresariais.
“O que temos aqui é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, alimentando algumas das forças mais destrutivas e desumanas do mundo”, escreveu.
Ruffalo também relacionou sua oposição à fusão a questões trabalhistas e concorrenciais. Segundo ele, a operação poderia provocar a perda de 4.500 empregos diretos no setor cinematográfico e outros 10 mil postos de trabalho indiretos.
O ator afirmou que fusões desse tipo são “quase sempre ruins para trabalhadores, consumidores e para a indústria que passam a dominar”. Para ele, a operação representa um caso clássico de concentração de mercado, com potencial para aumentar custos, reduzir a concorrência e diminuir as opções disponíveis ao público.
“Temos uma chance de impedir isso”, escreveu Ruffalo, lembrando que 12 procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos entraram na Justiça para tentar bloquear a fusão.
Paramount reage às declarações
A Paramount respondeu às críticas de Ruffalo acusando-o de recorrer a estereótipos antissemitas ao comentar a disputa empresarial.
A empresa afirmou que termos como “genocídio” e “apartheid”, quando aplicados a uma transação corporativa, seriam inadequados e banalizariam sofrimentos reais. A companhia também disse esperar que a fusão seja analisada com base em seus méritos jurídicos, e não em preconceitos.
Ruffalo vem fazendo campanha pública contra a aquisição há meses. Em abril, ele se juntou ao advogado Norm Eisen em uma iniciativa para pressionar autoridades estaduais a usar leis antitruste para impedir a operação. Uma carta aberta organizada por grupos como o Writers Guild of America e o Committee for the First Amendment reuniu mais de 5 mil assinaturas.
A disputa ocorre depois que a Netflix desistiu de sua tentativa de adquirir a Warner Bros., recusando-se a elevar sua oferta diante da proposta de US$ 31 por ação da Paramount Skydance.
Mark Ruffalo goes scorched-earth on the Paramount-Warner Bros. merger, calling out the Ellison family’s complicity in Palestinian “genocide”: https://t.co/GDCM7fZGXg pic.twitter.com/k9FU45P6rZ
— Sargis Artsruni (@SargisArtsruni) August 21, 2026