
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a criação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal e de um conselho que avalie os nomes antes da indicação presidencial à Corte. A proposta surgiu em entrevista à BandNews exibida no domingo (27), em meio à crise envolvendo o Banco Master e integrantes do tribunal.
Lula afirmou que o presidente da República não deveria concentrar a escolha dos ministros. “Não pode ser só o presidente que indica. Temos que criar um critério para que seja alguém que passe por um crivo de um colegiado para que a pessoa não seja mais o cara indicado pelo presidente”, disse.
Na formulação apresentada pelo petista, o colegiado reuniria juristas e integrantes da sociedade civil. “Quero um cara que tenha responsabilidade com a sociedade brasileira”, acrescentou o presidente, candidato à reeleição em 2026.
O chefe do Executivo também sustentou que investigações sobre possíveis irregularidades devem alcançar todos os envolvidos, inclusive ministros do STF. “Na hora que comprovar que a pessoa cometeu erro, a pessoa tem que ser punida. Isso vale para todo mundo”, afirmou.
Lula quer mudar o critério de indicação de ministros ao STF e sugere a criação de um conselho https://t.co/oKIUY0BQ0X pic.twitter.com/p0yJWzcTwf
— Estadão 🗞️ (@Estadao) September 28, 2026
Crise do Banco Master envolve ministros e familiares
O debate ocorre após a investigação sobre o Banco Master expor relações de Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição, com ministros do Supremo e seus familiares. Mensagens recuperadas do celular do ex-banqueiro indicaram que ele perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, dois dias antes de sua prisão, se deveria deixar o país.
A apuração também apontou que Moraes fez edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, sua mulher. O ministro e Vorcaro se encontraram ao menos seis vezes desde 2024.
Mensagens atribuídas a Vorcaro citam supostos pagamentos de R$ 500 mil a um filho do ministro Kássio Nunes Marques. O filho do ministro Luiz Fux também manteve contato com o empresário e o chamou de “irmão” em conversas reveladas no caso.
Lula comentou ainda a investigação que alcançou seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete do presidente. Ele declarou considerar os dois inocentes, mas disse que ambos devem responder às apurações: “Meu filho está à disposição da Justiça e não fiz um único gesto, em nenhum momento, para que meu filho tivesse qualquer proteção. A proteção é a investigação. Se ele for inocente, ele é inocente.”