Lula levou uma multidão às ruas de São Paulo neste sábado (3), no último grande ato antes do primeiro turno. Ao lado de Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Marina Silva, o presidente percorreu a Avenida Paulista e a Rua Augusta para encerrar a campanha na capital paulista, que concentra o maior eleitorado do país.
Desde cedo, a militância foi se concentrando em diferentes pontos da Paulista. Na Praça do Ciclista e em frente ao Conjunto Nacional, grupos de apoiadores se reuniam para acompanhar a caminhada. Aos motoristas, pediam buzina. Eram atendidos. O coro de “olê, olê, olá, Lula” também se repetia entre os grupos.
A caminhada seguiu pela Augusta em direção à Praça Roosevelt. Quando Lula já se aproximava do local, ainda havia pessoas deixando a Paulista para entrar no percurso.

“Até o último minuto está valendo”
Presidenta nacional do PCdoB, Nádia Campeão afirmou que a mobilização seguiria até o último momento permitido antes da votação. Ela destacou o trabalho de conversa com os eleitores e a busca por votos para os candidatos do partido. “Até o último minuto está valendo a gente convencer as pessoas, virar voto para os nossos candidatos do PCdoB”, disse.
Em conversa com o jornalista Lucas Toth, do Portal Vermelho, Nádia também comentou o impasse em torno da caminhada. A decisão da Prefeitura de não liberar a Avenida Paulista dificultou a organização do ato, mas não impediu que a militância seguisse pela Rua Augusta.
“Mesmo assim, nós vamos tomar a Rua Augusta inteirinha e vamos fazer uma belíssima manifestação, fechando esse conjunto de grandes mobilizações nacionais”, disse.
Impasse marca início da caminhada
A realização do ato foi precedida por uma disputa em torno do percurso. A Prefeitura de São Paulo havia questionado a realização da caminhada na Paulista. Na sexta-feira (2), porém, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) autorizou a “Caminhada Lula e Haddad” por 5 votos a 1 e suspendeu os efeitos da determinação da Subprefeitura da Sé.
Pouco antes do início da caminhada, houve um princípio de tumulto entre integrantes da organização e policiais militares. Segundo o UOL, a PM determinou que carros de som da campanha avançassem pela Augusta para liberar a circulação de veículos, provocando uma discussão com integrantes da organização. O episódio começou por volta das 10h20 e durou alguns minutos.
Marco Aurélio de Carvalho, coordenador e fundador do Grupo Prerrogativas, acompanhou o impasse e criticou a condução da operação. Em declaração ao Portal Vermelho, afirmou que a organização manteria a caminhada. “Eles querem inviabilizar o que a gente vai fazer, caminhada. Mas nós vamos resistir e nós vamos fazer caminhada”, afirmou.
Depois do episódio, o ato seguiu enquanto novos grupos ainda deixavam a Paulista para se juntar ao percurso.
Mobilização ganha força nas últimas semanas
O movimento das últimas semanas também foi destacado por Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois. Para ele, as manifestações realizadas na reta final deram novo impulso à campanha.
“Com certeza, as duas últimas semanas pelas grandes manifestações deram um gás a mais”, afirmou.
Sorrentino reforçou, porém, que o trabalho não terminaria com a caminhada deste sábado. A orientação aos apoiadores era aproveitar as últimas horas antes da votação para conversar com familiares e amigos e manter a mobilização. “Não pode descansar nunca”, disse.
“A minha causa é o povo brasileiro”
Durante o ato, Lula falou sobre motivação e sobre as causas que continuam orientando sua trajetória política. “Nós não somos obrigados a ficar velhos, porque o que faz a gente envelhecer é falta de motivação, é falta de causa. E a minha causa é o povo brasileiro”, afirmou.
Em outro momento, Lula falou sobre o que está em jogo na eleição e pediu tranquilidade aos eleitores para a votação deste domingo (4). “Vamos à urna amanhã com muita tranquilidade, sabendo do que está em jogo. De um lado, a democracia e a soberania. Do outro lado, a barbárie e a corrupção”, afirmou.