Em meio aos preparativos para a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedica esta segunda-feira (21) a uma série de articulações com expoentes da esquerda internacional. Hospedado na residência do embaixador do Brasil junto à ONU, Sérgio Danese, o chefe de Estado cumpre agenda bilateral restrita, que inclui diálogos com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador norte-americano Bernie Sanders.
A sequência de compromissos ocorre em um contexto de retração de governos progressistas na América Latina, cenário no qual o alinhamento com Orsi busca reforçar pontes regionais. A reunião com o mandatário uruguaio, solicitada por Montevidéu, ocorre pela manhã na residência oficial brasileira.
Renovação e impacto diplomático
Na sequência, Lula recebe o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Aos 34 anos, Mamdani é o mais jovem a ocupar o cargo em mais de um século e a segunda figura a declarar-se abertamente socialista na liderança do município. Embora o Partido dos Trabalhadores veja no nova-iorquino uma liderança emergente para a esquerda global, interlocutores do governo brasileiro ponderam que a aproximação pode gerar ruídos com a administração de Donald Trump, no momento em que Washington e Brasília mantêm negociações comerciais sensíveis.
O fechamento do dia reserva um encontro com o senador Bernie Sanders, às 18h locais (19h de Brasília). As reuniões somam-se a uma lista de cerca de 30 pedidos de audiência bilateral recebidos pelo Itamaraty durante a passagem da comitiva brasileira pelos Estados Unidos.
Eixo central e acenos eleitorais
Paralelamente às audiências, o presidente finaliza o texto que proferirá na abertura da Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22). Historicamente encarregado do discurso inaugural do evento, precedendo o presidente dos Estados Unidos , o representante brasileiro deve focar a intervenção na defesa da soberania nacional, na rejeição a interferências externas e no fortalecimento de instituições democráticas.
Embora o Ministério das Relações Exteriores afirme que a manifestação abordará propostas internacionais e compromissos multilaterais do país sem inventários da gestão doméstica, avaliações diplomáticas indicam que o pronunciamento conterá elementos voltados ao cenário político interno. A expectativa é que o discurso trate também de segurança alimentar, combate às desigualdades, regulação de redes digitais, inteligência artificial e a mediação diplomática para conflitos armados internacionais.