Lula concentra campanha em quatro nomes e prepara reforço de Mercadante

Lula
O presidente e candidato a reeleição, Lula (PT). Foto: Adriano Machado/Reuters

O presidente Lula restringiu o núcleo de sua campanha à reeleição a quatro nomes e avalia convocar Aloizio Mercadante para reforçar a equipe. A mudança ocorre após o petista demonstrar insatisfação com a dificuldade de melhorar a avaliação do governo mesmo depois do início da propaganda eleitoral, segundo a Folha de S.Paulo.

As decisões passaram a ficar concentradas nos ministros Sidônio Palmeira, da Secom, e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, no presidente do PT, Edinho Silva, e em Paulo Okamotto, amigo de Lula que participa de parte das reuniões. Outros ministros e integrantes da comunicação são chamados de acordo com os temas em discussão.

O reforço mais relevante em análise é Mercadante. Segundo auxiliares ouvidos pela Folha, o presidente do BNDES poderia se licenciar para integrar diretamente o comando eleitoral. A hipótese representa uma mudança em relação ao desenho adotado meses atrás, quando a orientação era manter Mercadante no banco e sem função formal na campanha.

Mercadante
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A revisão ocorre num momento em que Lula continua na liderança, mas sem a reação esperada pela campanha. O Datafolha divulgado nesta semana mostrou o presidente com 46% contra 44% de Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, empate técnico pela margem de erro. No primeiro turno, Lula tem 38%, contra 33% do candidato do PL. A avaliação do governo também permanece pressionada: 42% consideram a gestão ruim ou péssima e 31%, ótima ou boa.

Aliados apontam ainda problemas de execução. Há reclamações sobre atraso na distribuição de material, número reduzido de comícios e improvisações de Lula em eventos preparados pela campanha. Integrantes do entorno do presidente também dizem não ter entendido por que ele deixou de defender o fim da escala 6×1 no lançamento da candidatura, apesar de o tema ser uma das principais bandeiras eleitorais do PT.

A nova composição também recoloca Sidônio no centro das decisões. Em agosto, Lula havia decidido mantê-lo fora do dia a dia da campanha. Agora, com Mercadante também cogitado, o presidente tenta compactar o comando e recuperar parte da equipe que participou da vitória de 2022. O ajuste ocorre sem mudança na liderança de Lula no primeiro turno, mas sob pressão de uma disputa de segundo turno que voltou ao limite da margem de erro.

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