
O cantor e compositor Lobão, 68, afirmou que não pretende votar nas eleições brasileiras de outubro e descartou uma nova aproximação com o bolsonarismo, movimento que apoiou em 2018. Em entrevista à Folha, ele disse que perdeu a expectativa de que a política possa melhorar o país.
Ao explicar onde deposita suas esperanças, o músico citou o movimento que defende uma revelação pública sobre a existência de vida extraterrestre. “A minha esperança está nos discos voadores, no disclosure [movimento que acredita que ocorrerá uma revelação pública sobre a existência de vida extraterrestre]. Quero saber se os ETs vão chegar”, afirmou.
Lobão declarou que sua recusa em participar das eleições não é recente, apesar do envolvimento com campanhas e manifestações políticas em diferentes períodos. “Me recuso a gastar meu HD, minha gasolina, meu tempo para quiçá anular o meu voto”, disse.
No fim dos anos 1980 e ao longo da década de 1990, o cantor apoiou o PT, embora afirme que nunca se considerou petista. Em 1989, chegou a cantar “Lula-lá” durante uma participação no programa “Domingão do Faustão” e classificou o episódio como crime eleitoral.

Do apoio a Bolsonaro à ruptura com a direita
Após se afastar da esquerda, Lobão apoiou Bolsonaro na eleição presidencial de 2018. Ele definiu aquela escolha como uma atitude “rock n’roll” contra o sistema político: “As pessoas se esquecem que eu estava contra o sistema, um sistema que estava há 16 anos no poder, com um monte de corrupção e uma tirania enorme”.
O cantor afirmou que esperava uma renovação a partir de integrantes do grupo político que cercava Bolsonaro, mas mudou de avaliação. “Havia alguns intelectuais no grupo em quem eu tinha a maior esperança, mas vi que não, a coisa era tosca mesmo”, declarou.
A experiência também o levou a rejeitar novas participações em campanhas eleitorais. “É a coisa mais pentelha e chata. Você sente uma vibração horrorosa, as pessoas te odeiam. É tudo muito feio, cafona, de muito mau gosto. E não funciona porque são as mesmas figuras caindo aos pedaços. Não há renovação”, criticou.
Lobão estendeu a crítica às ideologias, que, em sua avaliação, incentivam conflitos e impõem cartilhas de comportamento aos grupos políticos. “Porque ideologia é uma coisa que encolhe a sua cabeça. Se você pega uma ideologia, tudo bem que não será cancelado, tem um grupo que vai te aceitar, mas você encolhe existencialmente”, afirmou.