
Uma lista distribuída em aplicativos de mensagem da comunidade israelita propõe boicote a 1.306 judeus que declararam apoio à reeleição do presidente Lula. O documento reúne empresários, artistas, intelectuais e jornalistas que assinaram um manifesto eleitoral em favor da chapa Lula-Alckmin. Com informações de Carta Capital.
O texto circula sob o título “Lista de judias e judeus para não se fazer negócios ou contratá-los”. Os nomes aparecem em ordem alfabética e a orientação sugere que integrantes da comunidade deixem de contratar ou manter relações comerciais com os signatários.
A relação surgiu depois da divulgação, em 31 de agosto, de um manifesto de expoentes judeus em defesa de Lula. Todos os alvos do boicote assinaram a declaração de voto, que se posiciona contra projetos que ameacem a democracia.
Entre os nomes listados estão a historiadora Lilia Schwarcz, integrante da Academia Brasileira de Letras, a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik e o advogado Fábio Tofic Simantob. O jornalista Jayme Brener também integra a relação.
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Manifesto defendia democracia e voto em Lula-Alckmin
Na declaração que motivou a lista, os signatários afirmaram que o apoio à chapa não representava concordância com todas as transformações desejadas. “Significa reconhecer que há uma diferença fundamental entre lutar para ampliar direito dentro de uma democracia e permitir que avancem projetos que ameaçam as próprias condições dessa luta”, diz um trecho.
O manifesto também defende uma sociedade em que diferenças não se convertam em “ódio, perseguição ou inimigos a serem eliminados”. A mensagem relaciona o voto em Lula e Alckmin à preservação das condições democráticas para a disputa política e a ampliação de direitos.
Brener criticou a elaboração da lista e comparou a iniciativa a práticas do nazismo. “Quem fez isso no passado, de criar uma lista de boicote, foram os nazistas”, afirmou o jornalista.
O jornalista também rejeitou a tentativa de apresentar a comunidade judaica como um grupo politicamente homogêneo. “A comunidade judaica não é um partido político, não tem uma só voz. E fizeram isso de forma clandestina, covarde”, disse.