Kassio se declara impedido de julgar Moraes após vazamento de mensagens

Kássio Nunes Marques durante sessão sobre Moraes. Foto: reprodução

O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de votar na sessão que pode abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). Antes de anunciar sua decisão, ele se defendeu, alegando que nunca trocou uma única mensagem com Daniel Vorcaro, ainda que mensagens revelem a ligação entre o ex-CEO do Banco Master e seu filho, apontado como beneficiário de pagamentos mensais de R$ 500 mil.

Durante o julgamento, o ministro afirmou que “esse julgamento pode impactar no cenário político eleitoral” e, por isso, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, não se sente “confortável para participar do julgamento”. “Eu afirmo o meu impedimento”, declarou.

Acompanhe o julgamento pelo canal do DCM no YouTube: 

Um diálogo encontrado no celular do ex-CEO do Master indica que Kevin Marques, filho do ministro, recebia pagamentos mensais de R$ 500 mil.

Com o impedimento, Nunes Marques ficará fora da votação do caso no plenário da Corte. A sessão ocorre após a divulgação de mensagens que mencionam o ministro e foram encontradas no celular de Vorcaro.

Uma das conversas inclui um print associado a um número de telefone atribuído a Kassio Nunes Marques. O conteúdo foi encaminhado a Vorcaro por um contato do ex-banqueiro.

Na mensagem, o interlocutor diz que o ministro havia pedido a organização de uma viagem para cinco pessoas. Em seguida, pergunta se deveria cobrar o serviço do magistrado ou repassar o custo a Vorcaro.

Mensagens citam viagem e cobrança a Daniel Vorcaro
O interlocutor usa a expressão “essa bomba” ao questionar quem pagaria pela viagem. A conversa integra a série de mensagens vazadas nesta terça-feira e armazenadas no aparelho do dono do Master.

Outro diálogo citado envolve uma mulher que levaria “meninas” para um evento e cobra dinheiro de Vorcaro. O trecho também aparece entre as mensagens divulgadas no mesmo dia da sessão no STF.

Em 14 de novembro de 2025, Nunes Marques usou o avião do ex-CEO do Master para ir de Brasília a Maceió, onde participaria de uma festa de aniversário.

De acordo com o próprio ministro, o convite partiu da advogada Camilla Ewerton Ramos, que atuava judicialmente para o Banco Master em processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e assumiu ter arcado pessoalmente com os custos do voo.

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