Justiça manda Trump liberar jornalistas expulsos da Casa Branca

Repórter da CNN faz transmissão ao vivo em uma rua de Washington
Repórter da CNN faz transmissão ao vivo em rua de Washington após ser barrada. Foto: Anna Rose Layden/ Reuters

O juiz federal Tim Kelly ordenou nesta quinta-feira (24) que o governo de Donald Trump restabeleça imediatamente as credenciais de imprensa da CNN, da MS NOW e do Politico para a Casa Branca. A decisão impede as autoridades de aplicarem a restrição contra os três veículos pelos próximos 14 dias.

Kelly afirmou que a proibição, anunciada por Trump em 18 de setembro, provavelmente viola a Constituição dos Estados Unidos. CNN, MS NOW e Politico acionaram a Justiça federal em Washington após perderem o acesso ao complexo presidencial.

O magistrado rejeitou a justificativa de segurança nacional apresentada pelo governo. “O processo não apresenta suporte factual para a alegação dos réus de que a revogação das credenciais permanentes dos autores efetivamente protegerá a segurança nacional”, escreveu.

Na decisão, Kelly apontou que o próprio presidente relacionou a medida ao conteúdo da cobertura dos veículos. Trump disse nas redes sociais que CNN, MS NOW e Politico “não deveriam ter permissão para escrever ou divulgar constantemente FICÇÃO e MENTIRAS”.

Tribunal questionou falta de direito de defesa dos veículos

Em audiência na quarta-feira (23), o juiz citou precedentes da Corte de Apelações do Circuito do Distrito de Columbia que asseguram aos jornalistas o direito ao devido processo legal antes da retirada de credenciais para a Casa Branca.

Kelly avaliou que a Casa Branca aparentemente não ofereceu uma oportunidade efetiva para os veículos contestarem a decisão. O advogado das empresas jornalísticas afirmou que o governo aplicou o banimento sem aviso prévio e sem permitir defesa.

O Departamento de Justiça sustentou que o acesso à Casa Branca representa um privilégio, não um direito, e que o presidente pode suspender o credenciamento de organizações de notícias. Um advogado do governo alegou que cartas enviadas na terça-feira (22) apresentaram justificativa suficiente para a medida.

O juiz demonstrou ceticismo porque as cartas chegaram depois da revogação das credenciais e após o ajuizamento da ação. Reuters, Washington Post, Fox News e o Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa assinaram um parecer em apoio à CNN, à MS NOW e ao Politico.

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