
A jornalista Adriana Araújo, âncora do Jornal da Band, se emocionou nesta segunda-feira (5) ao criticar o discurso antifeminista de Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual em São Paulo com cerca de 1,9 milhão de votos. No programa “Entre Nós”, da BandNews FM, a apresentadora reagiu à negação do feminicídio e dirigiu um apelo aos eleitores da parlamentar: “A gente deseja a bondade e elege o ódio”.
Adriana lembrou que os direitos políticos exercidos pela deputada eleita resultam de uma luta histórica das mulheres. “Por décadas, mulheres lutaram para que ela tivesse o direito de, em 2026, se tornar uma deputada estadual em São Paulo”, afirmou.
A jornalista classificou como “gravíssimo” o discurso de que feminicídio não existe. Também criticou a associação entre masculinidade e violência que atribuiu a Campopiano: segundo Adriana, a deputada eleita sustenta que o comportamento do homem deve ser naturalmente “mais agressivo e até letal”.
“Enquanto a deputada mais votada da direita diz que feminicídio não existe, mulheres são esfaqueadas, estupradas e asfixiadas todos os dias. Crianças sofrem a dor de perder suas mães e mães choram por enterrar suas filhas.” – esse desabafo da Adriana Araújo mexeu muito comigo. pic.twitter.com/V5z0BTcytO
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) October 6, 2026
O feminicídio está previsto na legislação brasileira como crime autônomo desde a Lei 14.994, de 2024. A definição abrange o assassinato de mulheres por razões da condição do sexo feminino, em situações de violência doméstica e familiar ou de menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Ao falar das vítimas, Adriana ficou com a voz embargada e contrapôs os bordões que circulam nas redes ao sofrimento provocado pela violência. “As palavras que ela fala, que ela repete, são palavras que provocam profunda dor em muitas mulheres”, declarou. “Enquanto ela repete esses bordões que viralizam nas redes sociais e nos grupos de ódio às mulheres, mulheres reais estão sentindo dor na pele.”
A apresentadora afirmou que não se considera inimiga de Campopiano e se definiu como feminista por defender que mulheres tenham o mesmo espaço, respeito, direitos e oportunidades que os homens. Destacou, sobretudo, o direito de viver sem ser morta por um agressor.
Na sequência, Adriana dirigiu a crítica aos quase 2 milhões de paulistas que escolheram Campopiano. Disse não acreditar que todos esses eleitores neguem a existência do feminicídio ou ignorem a dor das vítimas. Para a jornalista, reconhecer a gravidade da violência contra mulheres exige também refletir sobre os discursos que recebem apoio nas urnas.
“Muitas vezes a gente deseja a bondade, mas a gente vota na direção oposta. A gente deseja a bondade e elege o ódio”, afirmou. “Se você puder parar, respirar um instante e pensar sobre isso, talvez nas próximas eleições a gente vá além do videozinho do TikTok e do Instagram e não eleja esse tipo de pensamento.”