A líder do PCdoB na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (RJ), considerou grave a exibição em culto religioso, na última segunda-feira (7), de um vídeo do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para promover a candidatura a presidente de Flávio Bolsonaro (PL).
O evento contou com a presença de Flávio e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A gravação de 26 de março deste ano foi exibida pelo apóstolo Valdemiro Santiago como se fosse atual.
O vídeo foi apresentado fora de contexto para sugerir apoio político ao candidato a presidente do PL.
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“Tal conduta revela uma associação irresponsável, cujo objetivo é instrumentalizar a fé e a boa-fé dos fiéis em prol de uma campanha de extrema direita. O vídeo, ao ser difundido neste momento, induz ao erro, sugerindo uma vinculação entre o ministro, as lideranças evangélicas e as ações controversas do candidato, que busca se associar ao STF”, avalia a jornalista Daniela Lima.
Para Jandira, a manobra denunciada pela comentarista, soma-se a outros episódios preocupantes.
“O ministro André Mendonça realizou encontros fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro em São Paulo, mantendo a natureza dessas conversas em sigilo. Ademais, o ministro mantém sob sua relatoria o processo envolvendo Flávio Bolsonaro, o único candidato a presidente implicado no esquema do Banco Master, sem que tenha havido a necessária quebra de sigilo fiscal, telefônico ou bancário”, diz a deputada.
A líder do PCdoB avalia que, diante da gravidade dessas evidências e da possível articulação para interferir no processo eleitoral, é “imperativo que o caso seja apurado com o máximo rigor”.
“Diante disso, solicito ao Ministro Edson Fachin, na qualidade de presidente do STF, que determine o afastamento de André Mendonça da relatoria deste processo e que seja instaurada uma investigação sobre a conduta do ministro, bem como de todos os demais envolvidos nesta grave fraude financeira”, cobra.
Na avaliação dela, a extrema direita usa de má fé ao tentar blindar André Mendonça sob o argumento de apoio dos fiéis.
“Querem nublar o debate para que todos esqueçam as denúncias contra Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master. Acham que vão conseguir varrer as ilegalidades para baixo do tapete travando a investigação. Ninguém está acima da lei. Todos os envolvidos nesta fraude e os que se beneficiaram dela devem responder por seus atos. Investigação seletiva para proteger uns é inadmissível”, diz.