Igreja Católica monitora ataques a Nossa Senhora há 7 anos

Imagem de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional. Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress

A Igreja Católica no Brasil vinha debatendo havia anos ataques à devoção a Nossa Senhora Aparecida e tentativas de deslegitimar imagens católicas antes do vídeo em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que decretaria “Jesus Cristo o Senhor do Brasil”. A apresentadora Daniela Lima revelou os bastidores no programa “Pulso Político”, do Canal UOL.

Flávio também atacou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e acusou, sem apresentar provas, a entidade de ajudar a espalhar uma notícia falsa. Para Daniela Lima, o vídeo divulgado em 23 de agosto reuniu pontos que preocupavam a cúpula católica.

Os debates internos da Igreja incluíram documentos, conferências e seminários sobre o discurso de grupos neopentecostais que defendem a ocupação do aparelho de Estado por pessoas comprometidas com uma determinada fé. A discussão se estendeu por ao menos sete anos.

Uma linha do tempo analisada pela Igreja reúne registros desde 2019 sobre intolerância religiosa e ataques a templos de religiões afro-brasileiras, católicos e judeus. Observadores e cientistas sociais de fora da instituição também produziram estudos levados a esses debates.

Documentos discutem apagamento de imagens e laicidade do Estado

Entre os temas dos textos estão o “apagamento” de imagens religiosas e a acusação de “idolatria” dirigida a católicos. Os documentos também abordam a chamada teologia do domínio e os efeitos dessa corrente sobre a separação entre religião e Estado.

A teologia do domínio alega uma divisão entre fiéis e inimigos de Deus e atribui aos líderes políticos uma escolha divina. As análises debatidas pela Igreja apontam que essa visão pode alimentar a polarização e justificar medidas autoritárias em nome da fé.

O risco apontado nos estudos envolve a concentração de poder, a erosão da laicidade do Estado e políticas que ameacem direitos humanos. A fala de Flávio Bolsonaro foi interpretada por setores da Igreja à luz dessas preocupações acumuladas.

Daniela Lima associou esse tipo de antagonismo a uma prática da extrema direita internacional contra setores católicos considerados excessivamente à esquerda. Ela citou Donald Trump e os embates do presidente dos Estados Unidos com o papa Leão XIV como exemplo dessa disputa.

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