Boato – Masako Soga, de 81 anos, se curou do Alzheimer após tomar cogumelos com psilocibina.
Análise
A publicação de estudos sobre os efeitos terapêuticos de compostos psicodélicos costuma atrair forte atenção da comunidade médica e do público geral. Recentemente, passou a circular na internet o relato de uma mulher idosa chamada Masako Soga, descrita como uma paciente nipo-americana de 81 anos que teria sido submetida a um tratamento experimental com psilocibina em uma clínica jamaicana.
De acordo com os textos virais, a substância teria proporcionado a cura da doença de Alzheimer, permitindo que a paciente retomasse a fala, a mobilidade e as lembranças após anos de silêncio. As postagens vêm acompanhadas por uma imagem de uma idosa de origem asiática que seria a protagonista do experimento. Leia:
Masako Soga, uma idosa nipo-americana de 81 anos diagnosticada com Alzheimer avançado, surpreendeu a comunidade médica após recuperar a fala e a lucidez depois de quase cinco anos em silêncio absoluto. O caso extraordinário ocorreu sob rigorosa supervisão médica em uma clínica na Jamaica, onde a paciente recebeu uma dose de 5 gramas de cogumelos contendo psilocibina, a substância ativa dos chamados “cogumelos mágicos”.
Cerca de 19 horas após a ingestão, a idosa despertou de um sono profundo conversando em frases completas, fazendo piadas e relembrando memórias autobiográficas complexas. O relato clínico, publicado na revista científica Frontiers in Neuroscience pelos pesquisadores Simon Ruffell e Nigel Strauss, também documentou que ela recuperou temporariamente a capacidade de andar sem assistência e o controle de suas funções fisiológicas.
Checagem
Para verificar a história que circula nas redes sociais, consultamos o estudo científico citado nas publicações e analisamos a identificação atribuída à paciente, respondendo às seguintes perguntas: 1) Masako Soga, de 81 anos, se curou do Alzheimer após tomar cogumelos com psilocibina? 2) O que há de real na história da idosa que se curou do Alzheimer após tomar cogumelos com psilocibina? 3) Quem é Masako Soga, uma nipo-americana de 81 anos?
Masako Soga, de 81 anos, se curou do Alzheimer após tomar cogumelos com psilocibina?
Não. O estudo científico não afirma que a paciente tenha sido curada do Alzheimer. O artigo descreve uma melhora funcional temporária após a administração de psilocibina, mas ressalta que os resultados não representam reversão da doença.
O trabalho publicado na Frontiers in Neuroscience relata o caso de uma mulher nipo-americana com histórico de aproximadamente dez anos de Alzheimer. Durante os cinco anos anteriores ao tratamento, ela havia apresentado redução importante da fala, da mobilidade, da interação social e de outras funções. Após receber 5 gramas de cogumelos contendo psilocibina, os pesquisadores observaram o surgimento de fala autobiográfica cerca de 19 horas depois e outras melhorias nos dias e semanas seguintes.
Os autores são explícitos sobre a limitação do caso. Na conclusão, afirmam que os resultados não devem ser interpretados como reversão da patologia do Alzheimer. O estudo é um relato de caso único e não permite estabelecer causalidade entre a substância e todas as mudanças observadas.
O que há de real na história da idosa que se curou do Alzheimer após tomar cogumelos com psilocibina?
A parte verídica refere-se à existência de um estudo de caso acadêmico publicado por pesquisadores na revista Frontiers in Neuroscience. A pesquisa documentou melhora temporária e episódica na comunicação de uma paciente idosa sob protocolo experimental. No entanto, os próprios autores ressaltam que se trata de um evento isolado que não representa cura da doença e que exige mais estudos clínicos.
Quem é Masako Soga, uma nipo-americana de 81 anos?
A mulher retratada na fotografia que viralizou não existe na vida real. Trata-se de uma imagem genérica gerada por computador que já vinha sendo utilizada como foto de estoque em anúncios médicos e artigos de saúde desde anos anteriores.
Embora existam registros públicos de pessoas com o nome Masako Soga catalogadas em bases de dados de longevidade, como a ficha da plataforma Gerontology Wiki sobre indivíduos de mesmo nome, elas não possuem relação com a imagem artificial propagada nas redes.
Conclusão
O caso científico é real, mas a mensagem viral apresenta conclusões que o estudo não sustenta. Uma mulher nipo-americana com Alzheimer avançado apresentou melhorias funcionais temporárias após receber psilocibina, mas os pesquisadores não afirmam que houve cura ou reversão da doença. Além disso, o artigo não identifica a paciente como Masako Soga. A atribuição desse nome e a transformação do resultado observado em uma “cura do Alzheimer” não têm respaldo no estudo publicado.
Fake news ❌
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