
O governo Lula avalia que a interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026 já está em curso e pode crescer até o segundo turno, segundo a coluna de Caio Junqueira na CNN Brasil. Integrantes do Planalto identificam quatro frentes de atuação: pressão política de autoridades americanas, impulsionamento de conteúdo pró-Flávio Bolsonaro a partir do exterior, suspeitas de financiamento estrangeiro e encontros com influenciadores de direita.
Na avaliação do governo, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, podem adotar no Brasil um modelo semelhante ao usado em disputas recentes na América Latina. A preocupação surgiu após manifestações públicas de Trump em eleições da Colômbia e de Honduras em favor de candidatos de direita.
Em Honduras, a eleição ocorreu em 30 de novembro de 2025. Quatro dias antes, Trump pediu votos para Nasry “Tito” Asfura e afirmou que a candidata de esquerda Rixi Moncada não poderia vencer por ser aliada de Nicolás Maduro.
Ele também disse que uma vitória dela entregaria o país a uma “narcocomunista” e admiradora de Fidel Castro; Moncada, que liderava as pesquisas, terminou em terceiro lugar.
Na Colômbia, em junho de 2026, Trump publicou na Truth Social apoio a Abelardo de la Espriella. O presidente americano descreveu o candidato como um líder “forte, inteligente e determinado” e chamou o adversário de esquerda, Iván Cepeda, de “marxista radical”.

Suspeitas sobre redes sociais e financiamento estrangeiro
A campanha do PT e o candidato do Missão, Renan Santos, suspeitam que perfis favoráveis a Flávio recebam impulsionamento pago a partir dos Estados Unidos. Petistas associam a movimentação ao que apontam como uma inundação de mensagens favoráveis a Espriella durante a eleição colombiana.
Renan Santos levou ao debate a suspeita de que o fundo de investimentos Rockbridge Network financie a candidatura de Flávio . O PT endossou a acusação e apresentou denúncia formal ao Supremo Tribunal Federal (STF); a legislação brasileira proíbe doações estrangeiras a partidos e candidatos.
Petistas também apontam reuniões de autoridades americanas com influenciadores brasileiros de direita como parte da articulação sobre a disputa eleitoral. Os encontros tiveram liberdade de expressão e ambiente digital como temas oficiais, mas integrantes do partido afirmam que as conversas apresentaram a visão dos Estados Unidos sobre a eleição brasileira.
Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral elevou a possibilidade de influência americana a um “nível de criticidade”. O documento cita medidas do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e aponta uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”, ligada à disputa dos EUA com a China e ao interesse americano em ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da América Latina.