
O governo Lula começou a exonerar indicados do Centrão em cargos federais nos estados após a adesão de partidos e parlamentares do grupo à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo O Globo, o Planalto concentra as primeiras mudanças em postos do terceiro escalão e evita, neste momento, atingir os principais cargos ocupados por representantes dessas legendas.
As exonerações alcançam nomes cujas indicações são atribuídas pelo governo aos deputados Marx Beltrão (PP-AL), Zé Haroldo Cathedral (União Brasil-RR) e Fred Costa (PRD-MG). A Secretaria de Relações Institucionais passou a levantar as indicações feitas por parlamentares após o avanço dos apoios ao adversário de Lula no segundo turno.
Entre os exonerados estão Jully Beltrão Lima Siqueira Vasconcelos, irmã de Marx Beltrão e então superintendente do Patrimônio da União em Alagoas; Naicon Rodrigues de Araújo, da Agricultura em Roraima; e Felipe de Almeida Pereira, da Pesca no mesmo estado. Os dois últimos são ligados a Zé Haroldo. Também saiu Germanielle Gessica Pereira de Oliveira, coordenadora do Dnocs em Minas Gerais, cuja indicação é atribuída a Fred Costa.

Uma tentativa de retirar um indicado ligado a Arthur Lira (PP-AL), porém, esbarrou em um erro de publicação. O Diário Oficial registrou a exoneração de Juliano Pereira de Oliveira da chefia do Dnocs em Alagoas, mas o ocupante do cargo é Juliano Ribeiro Balbino. Balbino permanece no posto enquanto não houver a formalização correta da saída.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, havia defendido uma revisão dessas indicações e afirmado que “quem está com Lula tem que estar com Lula”. A posição encontrou resistência no entorno do presidente. No fim de semana, o coordenador da campanha, Camilo Santana, negou que o governo adotaria esse procedimento e ressaltou que parlamentares de partidos que apoiam Flávio Bolsonaro continuam ao lado de Lula.
Procurado, Zé Haroldo afirmou, por meio de sua assessoria, que “isso faz parte da política”. “Quando a gente assume um lado, é natural que o outro lado reaja. Eu nunca escondi minha posição”, declarou. A Secretaria de Relações Institucionais não havia se manifestado à reportagem sobre o caso do Dnocs em Alagoas.