
O jornalista e escritor americano Glenn Greenwald, heroi dos bolsonaristas desde que passou a ficar obcecado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirmou que os Estados Unidos têm interesse direto no resultado das próximas eleições brasileiras e disse que Washington está atuando para enfraquecer o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e favorecer o campo político ligado a Jair Bolsonaro.
Em entrevista ao programa “Conversando con Correa”, da RT, Greenwald afirmou que “os EUA têm muito interesse em que Lula perca e Bolsonaro ganhe” e disse considerar preocupante o grau de envolvimento americano na política brasileira.
“Se você olhar agora mesmo o mapa da América do Sul, só resta um país que é mais ou menos de centro-esquerda ou de esquerda. E esse é o país em que estamos [Brasil]”, afirmou.
Para Greenwald, a eleição brasileira terá importância não apenas para a Presidência, mas também para a composição do Congresso e dos governos estaduais. Segundo ele, os Estados Unidos não estariam simplesmente acompanhando o processo eleitoral à distância.
“Os Estados Unidos têm muito interesse em que Lula perca e Bolsonaro ganhe. O governo dos EUA não se limita a observar à distância e dizer: ‘Esperamos que…’. Ele se mostra ativo e envolvido em tentar, basicamente, derrubar o Brasil como o último grande, importante e influente governo de esquerda na América do Sul”, declarou.
O jornalista relacionou essa disputa à política externa americana para a América Latina e à crescente aproximação de países da região com a China. Na avaliação dele, Washington procura utilizar instrumentos econômicos e políticos para recompensar governos alinhados aos seus interesses e pressionar aqueles que adotam posições divergentes.
“Eu acho que os EUA estão interferindo muito nesses países, oferecendo benefícios àqueles que servem aos interesses estadunidenses e punindo os que não servem”, disse.
Greenwald comparou essa estratégia a uma política utilizada pelos Estados Unidos durante décadas em diferentes regiões do mundo.
“É basicamente a mesma combinação de recompensas e ameaças que os EUA têm utilizado no Oriente Médio, na Ásia e na América Latina durante décadas para fazer com que os governos se tornem suas marionetes”, afirmou.
Greenwald cita China e desdolarização
Greenwald relacionou a pressão americana à posição brasileira em favor de uma maior diversificação das relações econômicas internacionais e à aproximação com a China.
Segundo o jornalista, a ofensiva tarifária do governo Donald Trump contra o Brasil teria começado depois de o país defender a desdolarização. Ele também apontou a expansão da presença chinesa na América Latina como um dos fatores que aumentariam a disputa de influência na região.
A avaliação de Greenwald é que Washington procura impedir que países latino-americanos aprofundem relações econômicas e políticas independentes dos Estados Unidos, especialmente com Pequim.
Ele afirmou que durante anos houve uma forte onda de governos de esquerda na América Latina e disse que, atualmente, a política americana estaria conseguindo alterar esse cenário.
“Durante muito tempo, como você sabe melhor que ninguém, houve um movimento de esquerda muito forte em toda a América Latina que vinha prosperando em muitos países. E, mais uma vez, ao observar o mapa, fica claro que a política estadunidense é muito bem-sucedida”, afirmou.
Greenwald disse ainda que sua posição é particularmente preocupada por viver no Brasil.
“Sou cidadão estadunidense, mas moro na América do Sul, no Brasil. E percebo que essa intervenção estadunidense está funcionando e me preocupa o quão livres serão essas eleições”, declarou.
🗣 Glenn Greenwald à RT: “Os EUA têm muito interesse em que Lula perca e Bolsonaro ganhe”
O jornalista afirmou, no programa ‘Entrevista con Correa’, que Washington “não se limita a observar à distância” as eleições brasileiras.
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— RT Brasil (@rtnoticias_br) September 23, 2026