
Gilmar Mendes manifestou seu apoio à continuidade do inquérito das fake news e intensificou suas críticas a Romeu Zema ao encaminhar ao ministro Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais. Em entrevista ao “Jornal da Globo”, na quarta-feira (22), o ministro do STF afirmou a Renata Lo Prete que a investigação “é ainda necessária” e resumiu sua opinião de forma clara: “Parece-me que o inquérito é imprescindível e só será encerrado quando for adequado”.
Essa declaração veio após a jornalista mencionar que, mesmo entre aqueles que reconhecem a relevância do inquérito durante os períodos mais críticos para a democracia, existem vozes que acreditam que, depois de sete anos, ele se transformou em “apenas uma ferramenta poderosa nas mãos do relator, ministro Alexandre”. Ao ser questionado sobre “qual a razão e para quem manter essa investigação ativa”, Gilmar respondeu: “É fundamental que isso seja afirmado com clareza. O tribunal tem sido atacado”.
Na mesma declaração, o ministro mencionou o relatório da CPI do Crime Organizado e criticou o senador Alessandro Vieira, que é o relator da comissão. “Observe, por exemplo, a coragem — ou melhor, a covardia — do relator da CPI do crime organizado ao atacar o tribunal e pedir o tratamento de pessoas, sem se preocupar com aqueles que realmente cometeram crimes. Isso pode ser aceito? Creio que não. É necessário que haja uma resposta”, declarou. Ele ainda defendeu que a investigação permaneça “pelo menos até as eleições”.
🚨VEJA – Renata Lo Prete questiona Gilmar Mendes sobre a continuidade do inquérito das fake news, já que muitos consideram que ele é só uma arma poderosa nas mãos de Moraes
“Eu tenho impressão que o inquérito continua necessário e ele vai acabar quando terminar”, disse Gilmar. pic.twitter.com/eJ6Sv9SzHM
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) April 23, 2026
Gilmar também expressou estar “chocado” com a acusação de Vieira, que chegou a solicitar o indiciamento dele, de Alexandre de Moraes, de Dias Toffoli e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. “No meu caso, por ter concedido um habeas corpus. Apenas isso. E isso se torna motivo para indiciamento. (…) É algo extremamente sério”, declarou.
Ao criticar o relatório, o ministro foi além e questionou as razões que levaram o senador a agir dessa forma. “Por que ele [Alessandro Vieira] tomou essa atitude? Será que ele está sendo ameaçado pelo crime organizado? Ou, pior ainda, pode estar sendo financiado por eles?”, afirmou.
“O Tribunal tem sido alvo de ataques. Observe a covardia do relator da CPI ao atacar a Corte. Isso não pode continuar dessa maneira. É necessário que haja uma resposta”, disse.
Na segunda-feira (20), Gilmar encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra Zema para que ele seja investigado no inquérito das fake news. O caso se refere ao segundo episódio da série “Os Intocáveis”, divulgada por um bolsonarista mineiro e produzida por inteligência artificial. O procedimento já foi enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e continua sob sigilo.
Ao discutir o episódio, Gilmar enfatizou que os servidores públicos devem agir com responsabilidade. “Todos nós que estamos na vida pública precisamos ter responsabilidade e não devemos nos envolver nesse tipo de brincadeira”, disse. Em seguida, reiterou sua crítica ao teor das publicações de Zema. “Ele [Zema] utiliza uma linguagem que se aproxima do português, mas que é percebida como ofensiva e isso deve ser considerado”, declarou.
O ministro também retomou a discussão política com o ex-governador ao mencionar o histórico da dívida de Minas Gerais com a União e as decisões do STF que foram favoráveis ao estado. “Já afirmei que o governo Zema só conseguiu administrar Minas Gerais porque obteve liminares aqui no Supremo que o isentaram de pagar a dívida com a União por 22 meses”, disse.
“Estou apenas ressaltando que as pessoas comparecem ao Tribunal e depois adotam esse tipo de postura, o que me parece eticamente incorreto”, afirmou.
Sobre o caso do Banco Master, Gilmar procurou desviar o foco do Supremo e afirmou que a situação “não é um escândalo do STF”. “Parece-me que a imprensa trouxe o caso Vorcaro para a Praça dos Três Poderes. Se eu fosse buscar a localização do caso Vorcaro, veria que ele se encontra na Faria Lima”, comentou.