Genoino pede desculpas à comunidade judaica e reafirma repúdio ao antissemitismo

O ex-deputado federal José Genoino (PT-SP). Reprodução

O ex-deputado federal José Genoino divulgou nesta sexta-feira (21) uma nota pública para esclarecer uma declaração feita em janeiro de 2024, durante entrevista ao vivo ao Diário do Centro do Mundo (DCM), sobre a guerra na Faixa de Gaza.

Na ocasião, ao comentar movimentos internacionais de boicote econômico, Genoino usou a expressão “empresas de judeus”. Segundo ele, a fala foi corrigida ainda durante a própria transmissão: a referência, afirma, era a empresas vinculadas ao governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Genoino também diz que essa correção acabou sendo retirada dos trechos que posteriormente circularam nas redes sociais.

Na nota, o ex-deputado reconhece que a expressão foi imprecisa, lamenta a apreensão provocada e pede desculpas às pessoas da comunidade judaica que tenham se sentido atingidas. Ele também reafirma de forma explícita seu repúdio ao antissemitismo e destaca a importância da comunidade judaica para a sociedade e a democracia brasileiras.

Ao mesmo tempo, Genoino mantém sua crítica política à atuação do governo de Israel na Faixa de Gaza e defende a coexistência de dois Estados soberanos, com segurança recíproca e rejeição à violência contra civis. “Essa crítica não se confunde com hostilidade ao povo judeu ou à comunidade judaica”, afirma.

“Antissionismo não é antissemitismo”. Reprodução

Leia a nota na íntegra:

Em 20 de janeiro de 2024, em entrevista ao vivo sobre a guerra na Faixa de Gaza, ao comentar os movimentos internacionais de boicote econômico, empreguei a expressão “empresas de judeus”. Corrigi-me na própria transmissão, logo em seguida, esclarecendo que me referia a empresas vinculadas ao governo chefiado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Do que passou a circular nas redes sociais, a correção foi cortada. Reafirmo hoje, publicamente, aquela retificação.

Percebi, ainda durante a transmissão, que a formulação havia sido imprecisa, porque, dita daquele modo, poderia sugerir algo que eu não pensava nem pretendia dizer. Foi por isso que me corrigi no mesmo instante. Compreendo que, isolada do contexto e reproduzida sem a correção, tenha causado apreensão a homens e mulheres da comunidade judaica brasileira. Lamento sinceramente essa consequência e peço desculpas a quem por ela se sentiu atingido.

Repudio o antissemitismo em todas as suas formas. A história do povo judeu é uma história de perseguição atravessada por séculos, e o Holocausto permanece como uma das mais graves feridas morais do século XX. No Brasil, a comunidade judaica é parte da formação do país e contribuiu, e segue contribuindo, para o seu crescimento e para a construção da nossa democracia.

Minha crítica dirigiu-se, e continua a se dirigir, à conduta do governo de Israel nas operações militares em Gaza e às suas consequências sobre a população civil palestina, especialmente mulheres, idosos e crianças. Ela é política e eu a mantenho, assim como mantenho a defesa da coexistência de dois Estados soberanos, com segurança recíproca, e o repúdio a toda violência contra civis. Essa crítica não se confunde com hostilidade ao povo judeu ou à comunidade judaica.

Presto estes esclarecimentos por convicção pessoal e por respeito à comunidade judaica brasileira. Jamais tive a intenção de incitar preconceito, discriminação ou violência contra quem quer que seja

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