
Os gastos de brasileiros no exterior atingiram US$ 6,04 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) no primeiro trimestre de 2026, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC). O valor representa um aumento de 21,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as despesas somaram US$ 4,96 bilhões (R$ 24,9 bilhões).
Com isso, o primeiro trimestre de 2026 registrou o maior valor para esse tipo de gasto desde o início da série histórica do BC, em 1995. Em março, brasileiros gastaram um total de US$ 1,99 bilhão (R$ 9,99 bilhões) no exterior, estabelecendo um recorde para o mês.
O aumento nos gastos coincide com a queda na cotação do dólar, o que torna as viagens internacionais mais acessíveis. Com a moeda americana mais barata, os brasileiros têm uma redução nos custos com passagens aéreas, hotéis e outros produtos e serviços no exterior.
Apesar de uma leve alta de 0,58% no valor do dólar no dia 23 de março, ele acumula uma queda de 8,85% em relação ao início do ano. A desvalorização é um reflexo da situação econômica global, incluindo os efeitos da guerra no Oriente Médio.
O Brasil, como exportador de petróleo, se beneficia com a valorização do real, uma vez que a venda do produto contribui para o ingresso de divisas no país. Ao mesmo tempo, a economia local segue apresentando crescimento.

O desempenho da economia tem impacto direto nos gastos externos dos brasileiros, já que um crescimento econômico maior tende a aumentar a demanda por produtos e serviços estrangeiros. Com a desaceleração, o déficit nas contas externas tende a diminuir, refletindo um controle nos gastos com o exterior.
O BC também informou que o déficit das contas externas brasileiras recuou 10,76% no primeiro trimestre de 2026, atingindo um saldo negativo de US$ 20,27 bilhões (R$ 101 bilhões), comparado a US$ 22,71 bilhões (R$ 114 bilhões) no mesmo período de 2025.
O déficit em transações correntes reflete a diferença entre as despesas e receitas do país com o exterior, incluindo a balança comercial, serviços adquiridos no exterior e remessas de lucros e dividendos.
O crescimento da economia brasileira, apesar da desaceleração, ainda impulsiona a demanda por produtos e serviços importados. Essa maior procura é um dos fatores que contribui para o aumento do déficit em transações correntes.