
Galvão Bueno decidiu deixar a sociedade da N Sports após discordar da ação judicial movida pela TV esportiva contra o SBT. A empresa, que foi parceira da emissora na transmissão da Copa do Mundo, pede o bloqueio de R$ 40 milhões das contas do canal da família Abravanel por receitas que afirma não terem sido repassadas. Com informações da Folha.
Antes de o processo ser apresentado, Galvão enviou uma carta às filhas de Silvio Santos e à diretoria do SBT para registrar sua posição. O documento foi encaminhado no dia 2 de setembro, nove dias antes de a N Sports ingressar na Justiça. “Já comuniquei aos sócios que, se a divergência com o SBT seguir para o litígio, vou abrir mão dessa integralização e encerrar minha parceria com a N Sports”, afirmou.
O narrador afirmou que também possui divergências internas com a empresa, mas apontou a disputa com o SBT como principal motivo para sua decisão. “Tenho ressalvas sobre decisões estratégicas e financeiras da empresa, mas minha principal discordância está na forma escolhida para tratar os resultados comerciais da Copa do Mundo com o SBT. Para mim, divergências entre parceiros se resolvem com diálogo e negociação — não na Justiça”, declarou.
Galvão também demonstrou preocupação com a associação pública entre seu nome e a N Sports. “Para o público e grande parte do mercado, a NSports é ‘a TV do Galvão’. Não aceito que, depois do que construímos na Copa do Mundo, fique a imagem de que ‘a TV do Galvão’ está processando o SBT. Isso não representa minha posição nem a maneira como construí minha carreira”, disse.
Na carta, o apresentador afirma que foi surpreendido pela adoção de uma medida enquanto representantes das duas empresas ainda negociavam. Ele também registra que foi contrário às notificações extrajudiciais enviadas ao SBT, às agências e aos clientes. “Não concordo, não compactuo e não quero fazer parte desse tipo de prática”, escreveu.
Galvão relacionou sua posição à forma como conduziu seus 52 anos de carreira e afirmou que nunca processou um veículo de comunicação após deixar a empresa. No encerramento do documento, defendeu uma solução negociada para a disputa: “Espero que prevaleçam o diálogo e o entendimento e que possamos seguir construindo juntos os próximos capítulos dessa história.”

A carta de Galvão na íntegra:
“Ao SBT – Sistema Brasileiro de Televisão
Prezados,
Quero, antes de tudo, agradecer pela forma como fui recebido e acolhido pelo SBT, pelo carinho e pelo respeito que sempre encontrei nesta casa. Agradeço também a todos pelo enorme sucesso da Copa do Mundo.
Fui apenas uma parte de uma grande engrenagem, que trabalhou unida, com dedicação e competência. Um agradecimento especial à família Abravanel, que me recebeu de braços abertos e me fez sentir em casa e em família.
Por tudo isso, reitero o que já disse outras vezes: por mim, meu futuro profissional segue de mãos dadas com o SBT. É justamente pelo respeito que tenho por esta casa que quero deixar clara minha posição diante dos acontecimentos recentes envolvendo a NSports e o SBT.
Chegamos ao momento em que o MOU (memorando de entendimento) que tenho com a NSports deve se transformar na integralização da minha participação na empresa.
Já comuniquei aos sócios que, se a divergência com o SBT seguir para o litígio, vou abrir mão dessa integralização e encerrar minha parceria com a NSports.
Tenho ressalvas sobre decisões estratégicas e financeiras da empresa, mas minha principal discordância está na forma escolhida para tratar os resultados comerciais da Copa do Mundo com o SBT. Para mim, divergências entre parceiros se resolvem com diálogo e negociação — não na Justiça.
Foi assim que conduzi meus 52 anos de carreira. Jamais deixei um veículo de comunicação e depois o processei. Nunca aconteceu e não vai acontecer agora, especialmente depois dos resultados que construímos juntos na Copa do Mundo.
Também fui pego de surpresa ao saber que uma medida havia sido apresentada enquanto ainda aconteciam conversas entre os executivos das empresas. Conversas que incentivei, pedindo à minha equipe que buscasse uma rodada de negociação com o SBT para encontrar uma solução.
Sei que esse primeiro movimento é apresentado não como litígio, mas como um pedido de confirmação de informações. Ainda assim, preocupa-me que esse caminho tenha sido adotado enquanto uma negociação estava em curso.
Também fui contrário às notificações extrajudiciais dirigidas ao SBT, às agências e aos clientes. Não concordo, não compactuo e não quero fazer parte desse tipo de prática.
Para o público e grande parte do mercado, a NSports é “a TV do Galvão”. Não aceito que, depois do que construímos na Copa do Mundo, fique a imagem de que “a TV do Galvão” está processando o SBT.
Isso não representa minha posição nem a maneira como construí minha carreira. Espero que prevaleçam o diálogo e o entendimento e que possamos seguir construindo juntos os próximos capítulos dessa história.
Com carinho e respeito,
Galvão Bueno”