
Paulo Serdan, fundador da Mancha Verde, publicou um vídeo emocionado em que relata as agressões sofridas por sua mãe e critica Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual em São Paulo. O desabafo surgiu como uma reação a fala da jornalista Adriana Araújo, da BandNews FM, sobre as declarações da parlamentar que negam a existência do feminicídio.
Serdan disse que a voz embargada da apresentadora o fez recordar a infância. “Eu vi, eu vivi isso. Eu vi a minha mãe ser espancada”, afirmou. Segundo ele, as agressões não eram discussões de casal, mas episódios de violência que presenciou quando criança.
Ao contar a história da separação dos pais, relatou que o pai apontou uma arma para sua cabeça depois que ele perdeu uma cartilha escolar. Segundo Serdan, sua mãe decidiu deixar o casamento ao saber do episódio. Ele disse que, até então, a família tinha conforto material, mas a violência atravessava a vida dentro de casa.
Depois da separação, mãe e filhos passaram um período na casa dos avós e foram morar em um pequeno quarto de madeira cedido nos fundos de um centro de umbanda, na Mooca, em São Paulo. Serdan contou que a mãe conseguiu dois empregos para sustentar a família e, posteriormente, os três se mudaram para uma quitinete.
Durante a gravação, ele mostrou dois retratos antigos e disse que eram a única herança deixada por ela. Também lembrou o trabalho da mãe para criar os filhos e apoiar seus projetos. Serdan relatou ainda que, já adulto, tentou aproximar os pais em encontros familiares, mas pediu perdão à mãe quando percebeu o sofrimento que isso lhe causava.
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A crítica de Adriana Araújo ao discurso de Campopiano foi feita no programa “Entre Nós”, da BandNews FM. A jornalista contrapôs a negação do feminicídio à violência sofrida por mulheres e pediu reflexão aos eleitores da deputada, que recebeu cerca de 1,9 milhão de votos.
O vídeo de Serdan também contém falas violentas. Ele disse esperar que Campopiano encontre um homem que lhe mostre o sentido da Lei Maria da Penha e dirigiu às eleitoras da parlamentar a possibilidade de sofrerem agressões para compreender o problema. Ao falar da própria filha, afirmou que mataria alguém que a agredisse.