Foragida na Itália, Zambelli coordena a campanha da sua mãe à Câmara

Rita Zambelli em material de propaganda eleitoral
Rita Zambelli em peça de propaganda de sua candidatura à Câmara dos Deputados. Foto: Reprodução

A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) participa da campanha de sua mãe, Rita Zambelli (PL-SP), candidata à Câmara dos Deputados por São Paulo, mesmo enquanto permanece foragida na Itália e aguarda a análise de um novo pedido brasileiro de extradição. Rita afirma que a filha ajuda a definir pautas, produz materiais para redes sociais e grava vídeos em apoio aos familiares candidatos. Com informações de Folha de S.Paulo.

Além de Rita, o irmão de Carla, Bruno Zambelli (PL-SP), busca a reeleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo. A mãe da ex-deputada disse que recebeu da própria filha o incentivo para disputar uma vaga na Câmara. “A voz dela não pode ser calada no Brasil”, afirmou Rita.

Carla Zambelli recebeu condenação de dez anos do Supremo Tribunal Federal pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça e pela emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A decisão também determinou a perda do mandato, mas a Câmara rejeitou a cassação em plenário e ela renunciou dias depois.

Em outro processo, o STF condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão, em regime semiaberto, pelo episódio em que sacou uma arma e apontou para um homem nas ruas de São Paulo. O segundo pedido de extradição apresentado pelo Brasil trata desse caso.

A deputada licenciada Carla Zambelli chega para audiência no Tribunal de Apelações de Roma, em 27 de agosto de 2025. Foto: TV Globo

Pedido de extradição por caso da arma segue em análise na Itália

Zambelli deixou o Brasil em junho de 2025, um mês após a condenação no caso do Conselho Nacional de Justiça. Autoridades italianas a prenderam em julho daquele ano e a soltaram em maio de 2026. A Justiça italiana negou a extradição solicitada inicialmente pela condenação ligada ao sistema do CNJ.

A Corte de Apelação italiana deve retomar a análise do novo pedido brasileiro a partir de outubro. Durante o período em que a filha esteve presa em Roma, Rita disse que as duas trocavam mensagens por cartas: e-mails enviados pela família eram impressos e entregues à ex-deputada, que respondia à mão.

Rita afirmou que evitava tratar de política nas mensagens enviadas à prisão. “Não falávamos de política. Eu procurei o mínimo possível levar mais problemas para ela de fora”, disse. Após a soltura, mãe e filha passaram a conversar por vídeo “todo dia, toda hora, todo momento”, segundo a candidata.

Com o slogan “Jornada pela Justiça”, Rita diz defender as mesmas bandeiras da filha, como combate à corrupção, endurecimento contra crimes, oposição ao aborto, liberdade de expressão e apoio ao que chama de presos políticos. Ela afirmou não ter divergências políticas com Carla e reconheceu que sua candidatura “pode até ser” entendida como uma forma de contornar a inelegibilidade da ex-deputada.

O PL destinou R$ 500 mil à campanha de Rita Zambelli, o equivalente a 99,9% das doações recebidas até agora. Bruno Zambelli doou outros R$ 50 mil. A família também mantém uma arrecadação para custear a defesa de Carla na Itália, e Rita afirmou que o valor obtido ainda não cobre integralmente os honorários do advogado italiano.

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