
Flávio Bolsonaro (PL) usou uma informação falsa para tentar desqualificar o ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior durante a sabatina do Jornal Nacional nesta sexta-feira (28). Confrontado por César Tralli com o relato do brigadeiro sobre a tentativa de golpe após a eleição de 2022, o candidato afirmou que o depoimento “não é grave” porque Baptista Júnior “hoje está pedindo voto para Lula”. A afirmação é contrariada pelas declarações públicas recentes do próprio militar.
Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada em 18 de agosto, Baptista Júnior afirmou que votou em Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022. Questionado se já havia se considerado bolsonarista, respondeu: “Me considerei”. O brigadeiro também disse ter escolhido Bolsonaro em 2018 por defender liberalismo econômico e confirmou que repetiu o voto quatro anos depois.
Baptista Júnior tampouco apresentou naquela entrevista apoio eleitoral a Lula. Ao falar da eleição de 2026, criticou simultaneamente Flávio Bolsonaro por voltar a questionar o sistema eleitoral e Lula pelo discurso adotado na relação com os Estados Unidos. O ex-chefe da FAB declarou ter votado em Bolsonaro nas duas últimas eleições.
🚨 Flávio Bolsonaro inventa que o ex-comandante da FAB pediu voto à Lula, enquanto tenta esquivar de pergunta sobre o golpe que o pai tentou dar. pic.twitter.com/V3p2O6mIxt
— deok (@lauricadeok) August 29, 2026
A mentira surgiu quando Tralli relembrou depoimentos prestados no processo sobre a tentativa de golpe. O jornalista citou Baptista Júnior, que afirmou ter existido risco de ruptura institucional, e o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, que confirmou discussões sobre medidas de exceção após a derrota de Bolsonaro. O STF registrou oficialmente o depoimento de Baptista Júnior na ação penal sobre a trama golpista.
Em vez de responder ao conteúdo dos relatos, Flávio Bolsonaro tentou atribuir parcialidade política ao brigadeiro. “Não, não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto pro Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, declarou. O candidato não indicou entrevista, publicação, manifestação eleitoral ou qualquer outra fonte para sustentar a acusação.
O histórico público de Baptista Júnior vai no sentido oposto à caracterização feita por Flávio Bolsonaro. Além de ter votado duas vezes em Bolsonaro, o ex-comandante afirmou recentemente que considerou a anulação das condenações de Lula uma “quebra do Estado democrático de Direito”. Sua oposição à tentativa de ruptura em 2022 não significou adesão política ao petista, em depoimento ao STF, ele relatou que a FAB se recusou a apoiar qualquer medida golpista e confirmou que Freire Gomes chegou a advertir Bolsonaro de que poderia prendê-lo caso insistisse na ruptura institucional.