
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou neste domingo (11) uma notícia-crime contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por suposta prática de crime eleitoral. A defesa acusa o chefe da PF de usar a estrutura do órgão para beneficiar a candidatura do presidente Lula (PT) nas eleições de 2026.
Os advogados do senador pedem a abertura de um procedimento investigatório eleitoral contra Rodrigues. Eles defendem que o Ministério Público Eleitoral conduza a apuração diretamente ou que o Juízo das Garantias supervisione o caso, sem atuação de subordinados do diretor-geral da PF.
A representação questiona uma apuração preliminar aberta pela Diretoria de Inteligência da Polícia Federal sobre uma possível interferência externa dos Estados Unidos na eleição brasileira. Flávio sustenta que não havia base jurídica sólida para a iniciativa.
O episódio que levou à apuração começou após uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, em 30 de setembro. O texto tratava de um suposto repasse de US$ 1 milhão do Departamento de Estado dos EUA a programas no Brasil voltados ao “combate ao lawfare e censura”.

Entrevista de Andrei Rodrigues no primeiro turno
Em 1º de outubro, a Advocacia-Geral da União enviou ofícios à PF e à Procuradoria-Geral da República para pedir apuração sobre o conteúdo da reportagem. O PT também levou o assunto ao Supremo Tribunal Federal por meio da ADPF 1.178.
Andrei Rodrigues anunciou em entrevista coletiva, em 4 de outubro, data do primeiro turno, que a PF havia aberto uma apuração prévia. Ele falou no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional sobre a investigação conduzida pela área de inteligência da corporação.
A defesa de Flávio Bolsonaro afirma que a divulgação pública da apuração, antes da formalização de um inquérito e durante a votação, provocou cobertura midiática capaz de prejudicar o senador e favorecer o PT. A notícia-crime atribui essa consequência à conduta do diretor-geral da PF.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou em 4 de outubro que a Justiça Eleitoral não havia recebido indícios concretos de interferência estrangeira. A PGR arquivou o pedido encaminhado pela AGU por considerar que faltavam elementos mínimos de prova; Andrei Rodrigues ainda não se manifestou sobre a representação.