
Integrantes do governo Lula envolvidos nas negociações com empresas de bets e clubes de futebol querem adiar a discussão para depois do primeiro turno das eleições, marcado para o próximo domingo (4). A estratégia surgiu após clubes ameaçarem paralisar o Brasileirão em reação à proibição das apostas de quota fixa, segundo o Metrópoles.
Lula assinou na semana passada uma medida provisória que veta as plataformas de apostas no país. A decisão atingiu diretamente empresas que patrocinam equipes e competições, provocando resistência entre dirigentes do futebol.
Auxiliares do presidente temem que uma eventual interrupção do campeonato transforme o tema em assunto de grande repercussão política às vésperas da votação. Por isso, o Palácio do Planalto avalia evitar a ampliação do debate público neste momento.
Uma reunião entre dirigentes de clubes e a CBF estava prevista para terça (29), mas os clubes boicotaram o encontro e ele acabou cancelado. O governo já identificava insatisfação das equipes com a medida provisória antes da reunião.

Reunião cancelada tinha participação de ministros
O encontro reuniria representantes dos clubes com os ministros Dario Durigan, da Fazenda, Paulo Henrique, do Esporte, e Bruno Moretti, do Planejamento. Parte do governo esperava que apenas equipes das Séries B e C comparecessem à conversa.
A avaliação entre integrantes do Planalto é que as empresas de bets pressionaram os dirigentes a não participar da reunião. A ausência dos clubes inviabilizou uma negociação imediata sobre os impactos da proibição no futebol.
Apesar da decisão de postergar as tratativas, Lula seguirá defendendo a medida publicamente. O presidente afirmou que o futebol brasileiro “sempre viveu sem as bets” e sustenta que o fim das plataformas não causará prejuízo ao esporte.
Aliados do presidente também citam pesquisas internas do PT para manter a proibição. Um levantamento com 112 mil ocorrências em plataformas digitais classificou 76% das manifestações como positivas para o governo.