Fim da escala 6×1 é conquista que saiu das ruas e de um desejo histórico do povo, diz Lula

Um dos principais artífices da histórica vitória do fim da escala 6×1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou a votação no Senado pela tevê na noite desta quarta-feira (14) e celebrou o feito como uma “uma conquista que saiu das ruas e de um desejo histórico do povo trabalhador”.

Lula classificou a aprovação como um “momento extraordinário para o povo brasileiro” e disse ter “certeza de que uma conquista como esta jamais será revogada porque não foi uma conquista burocrática”.

Na sequência, salientou que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) “foi uma conquista que saiu da rua e de um desejo histórico do povo trabalhador”.

O presidente também parabenizou “o povo que foi para as ruas e aos senadores e senadoras que votaram favoravelmente porque o povo merece respeito e conquistou esse respeito”.

Além disso, junto com vídeo que rememora momentos de sua luta com o povo, Lula declarou que agora milhões de trabalhadores e trabalhadoras “terão mais tempo para descansar, estar com a família, cuidar de si e viver. Quem constrói o Brasil todos os dias também merece tempo para viver. É o Brasil pronto para mais”. (veja os vídeos abaixo).

Luta histórica do povo

A luta pela mudança da escala 6×1 para 5×2 e pela redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sem diminuição salarial é histórica e acompanha a trajetória de lutas do movimento sindical e dos partidos e lideranças de esquerda.

No Brasil, essa história começou a ser escrita na Constituição de 1988, quando a mobilização dessas forças políticas e sociais resultou na redução da jornada de 48 horas para 44 horas semanais.

Nos anos seguintes, a pauta nunca saiu da agenda de lutas do movimento sindical e contou com diversas propostas enviadas ao Congresso Nacional. A primeira PEC propondo redução na jornada pós-1988 foi apresentada pelo então senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) em parceria com o senador Paulo Paim (PT-RS). No entanto, outros projetos sobre o tema, com variações, foram apresentados nas últimas décadas. Uma delas partiu em 2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Mais recentemente, a luta ganhou novo fôlego quando a mobilização via redes sociais e nas ruas ampliou o conhecimento da população sobre o tema, angariando seu apoio. Toda essa movimentação resultou na apresentação de novas propostas, como as das deputadas Erika Hilton (PSol-SP) e Daiana Santos (PCdoB-RS), já sob o governo do presidente Lula.

Sensíveis ao clamor da classe trabalhadora, Lula e seu governo apresentaram novo texto, que também incorporou as propostas anteriores, e articularam a aprovação.

O casamento entre a pressão das ruas, dos movimentos sindical e sociais, de lideranças políticas e do governo fizeram com que a pauta vencesse as barreiras impostas pela direita e o setor empresarial, sempre contrários a bandeiras que defendem os direitos da classe trabalhadora.

Após ser aprovada em maio na Câmara, a PEC entrou na agenda de votação do Senado somente após o primeiro turno das eleições. Nesse ínterim, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência — que sempre foi contrário ao projeto e a outras garantias aos trabalhadores — numa manobra oportunista resolveu votar a favor. Mas, não sem sinalizar que se eleito, pretende rever a PEC e cortar outros direitos já conquistados.

Artigo Anterior

Fim da escala 6×1 é resultado da luta da classe trabalhadora

Próximo Artigo

O nome que ganha força para o STF após aprovação do fim da 6×1

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!