Feira do MST abre suas portas na Praça dos Martírios e cativa público de Maceió

Foto: Suzany Rodrigues

Por Raquel Moraes/ Cobertura colaborativa da 25ª Feira da Reforma Agrária
Da Página do MST

No final do inverno, o sol se faz forte e presente na Praça dos Martírios, no Centro de Maceió (AL), mas as boas-vindas não são apenas para o céu azul. A 25ª Feira da Reforma Agrária marca sua presença nesse período. Tendas, luzes, bancas e um aroma de milho se espalham pelo centro da cidade. Qualquer um que se aproxima se encanta com a variedade e qualidade dos produtos… A Praça dos Martírios abraça a Feira como se a esperasse há tempos.

Não é de se estranhar pessoas passeando pelo local. Alguns que estão familiarizados com a Feira e admiram a nova localização, como foi o caso da dona de casa Maria Heloísa, de 78 anos. “Aqui tem expansão, está na frente do Museu. Estamos vendo aqui que são pessoas trabalhadoras, que trabalham no campo, tudo bonito. Dá para ver como as frutas e as verduras são bonitas. Coisas boas”, comentou.

Maria Heloísa frequenta a Feira há anos, vinda de Campo Alegre, no Agreste de Alagoas, e, ao pensar na Feira, lembra de sua vida no interior.

Maria Heloisa, 78 anos. Foto: Raquel Moraes

“Hoje eu voltei para a Feira para comprar pé-de-moleque e ovos de capoeira. Moro há cinquenta anos em Maceió e sempre frequento, aqui me lembra muito a roça. Nesses anos, achei a localização aqui boa, porque estava no banco e passei aqui na Feira”.

Entre todas as variedades de produtos, as plantas chamam a atenção e concentram um grande público. O Viveiro Chico Mendes carrega um mar verde de opções para aqueles que são amantes da natureza. Uma delas é Isabel Almeida, de 55 anos, que é encantada por decorar sua casa com plantas. “Eu estava no comércio aqui no Centro e vim para cá. Resolvi passar por aqui para ver algumas plantas, coleciono em casa. Já tinha ouvido falar da Feira antes, mas nunca tinha tido a oportunidade de conhecer. Agora ficou bem melhor porque todos que estão no comércio podem conhecer”.

Isabel Almeida, 55 anos. Foto: Raquel Moraes

A camponesa Maria José, de 44 anos, assentada em Piranhas, no Alto Sertão de Alagoas, compartilha a mesma opinião. A feirante vende seus produtos como doce de leite, doce de mamão, cocada, mel, abóbora, entre outros, há 6 anos na Feira da Reforma Agrária e já dispara: “ficou melhor e acho que nos próximos dias ainda vai melhorar mais”.

“Se eu disser que um dia eu vim para uma Feira ruim eu vou estar mentindo, minhas mercadorias acabam antes do último dia. Ficou melhor perto do comércio, pessoal passa por ali e rapidinho chega na praça”, refletiu sobre a nova localização.

Em meio às mudanças, a Feira prossegue tradições. Benita Rodrigues, de 34 anos, e Magnun Angelo, de 42 anos, há anos frequentam a atividade. Benita relata que sempre esteve presente, sozinha, com família ou amigos, e vê que o momento espalha cultura e bons produtos.

Benita e Magnun. Foto: Raquel Moraes

“É um lugar de encontro. A distribuição permite algo diferente, ficou mais interessante e com uma visão melhor. Nós acompanhamos a história do MST há muito tempo e tem essa importância socialmente e culturalmente. Aqui é um sinônimo de saúde”, declarou.

Carine Gomes, banqueira, também reforçou a importância da Feira não apenas para o Movimento Sem Terra, mas para a população: “temos que dar valor para os trabalhadores que lutam na terra diariamente e levam para nossa mesa uma comida limpa e saudável. Precisamos apoiar a Reforma Agrária. Já estive em outras feiras, levando o beijuzinho de lei para casa. Gostei da mudança do local, aqui está amplo, ventilado e interessante. Comprei até um passarinho de artesanato em madeira. Vou dar mais uma volta e vejo se garimpo mais alguma coisa”.

Carine Gomes. Foto: Raquel Moraes

Repleta de uma ampla programação com debates, apresentações culturais e produtos do campo, a 25ª Feira da Reforma Agrária se torna maior do que uma simples Feira. A atividade guarda tradições e acalenta, reunindo amigos, famílias e pessoas que acreditam em uma melhoria a partir da coletividade. A nova localização cria um novo público e prova que as tradições podem permanecer se forem acompanhadas de fortes ideias.

A realização da 25ª Feira da Reforma Agrária e Festival do MST: Por Terra, Arte e Pão! conta com o patrocínio do Banco do Nordeste e é uma realização do Centro de Capacitação Zumbi dos Palmares, com apoio do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, da União Nacional das Cooperativas da Reforma Agrária Popular do Brasil (Unicrab) e do Governo do Estado de Alagoas.

*Editado por Fernanda Alcântara

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