Evento rural em cidade bolsonarista ignora Lula e faz convite a Flávio

Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Em Sinop (MT), o setor agropecuário demonstrou resistência ao presidente Lula, ignorando sua presença durante a feira Norte Show. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que será seu concorrente nas próximas eleições, recebeu um convite dos organizadores do evento, conforme relatado pela coluna de Letícia Casado no UOL.

A feira, que conta com 400 expositores e 2 mil marcas, favoreceu a direita com palestras e debates, e já teve a participação de Jair Bolsonaro e do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O presidente enfrenta resistência de alguns segmentos do agronegócio no Centro-Oeste.

Nas eleições de 2022, Bolsonaro obteve vitória em Mato Grosso e em Sinop, onde conquistou 76,95% dos votos válidos, indicando um forte sentimento antipetista na área. De acordo com o cientista político Bruno Bolognesi, coordenador do Laboratório de Partidos e Sistemas Partidários na UFPR (Universidade Federal do Paraná), essa resistência é resultado do alinhamento de Lula com movimentos sociais e pautas ambientais.

“O antipetismo se mantém na região devido a um voto que há muito tempo está consolidado no agronegócio, especialmente por causa da relação do PT com movimentos sociais, como o MST, e a agenda ambiental”, afirmou.

Logo da feira agro “Norte Show” em Sinop (MT). Foto: Reprodução

Agricultores da área frequentemente enxergam o aumento das ações contra o trabalho análogo à escravidão como uma ameaça às suas atividades, conforme comentou um assessor do governo. Eles também se opõem à agenda ambiental encabeçada por líderes como Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente.

O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, aponta que 13% dos eleitores se identificam com o agronegócio e possuem uma cultura homogênea: “Mais do que um voto contra Lula, é um voto contra a cultura de esquerda, que eles rejeitam”.

“Essas pessoas são tradicionalistas em relação à família, têm forte ligação com a terra, com a música sertaneja e a religião. Sentem orgulho de pertencer a uma cultura que ganhou destaque econômico e busca reconhecimento político. Consumem um tipo específico de veículo (caminhonetes), vestem roupas características (jeans, botinas e chapéus) e têm uma alimentação própria (tropeiro, carne e cerveja). Tudo isso contribui para formar um habitus singular, muito distante do que percebem em Lula e no projeto do PT”, conclui.

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