EUA deportaram mais de 25 mil por meio de acordos secretos

Migrantes caminham em grupo em direção à fronteira entre México e Estados Unidos
Migrantes caminham em grupo em direção à fronteira entre México e Estados Unidos. Foto: Reprodução

Os Estados Unidos deportaram ao menos 25.447 pessoas para países com os quais elas não tinham vínculo até 31 de agosto de 2026, sob acordos mantidos em sigilo com 35 nações, aponta investigação da organização Forbidden Stories divulgada nesta segunda (21). A política ganhou força desde o retorno de Donald Trump à Presidência, em janeiro de 2025.

O governo americano reservou US$ 410 milhões para facilitar as deportações, com repasses diretos aos países que recebem os migrantes e a organismos das Nações Unidas. Os dados foram compilados pela Forbidden Stories com um consórcio internacional de jornalistas.

Cerca de 20 mil pessoas foram enviadas ao México. As demais foram distribuídas entre 27 países da América Latina, da África e do Pacífico, enquanto outros sete países concluíram acordos para receber deportados.

As negociações definem quais nacionalidades cada país pode aceitar e, em alguns casos, incluem pessoas com antecedentes criminais. Washington recorre a esses destinos quando não consegue enviar os migrantes legalmente de volta aos países de origem.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Umit Bektas/Reuters

Pressão sobre países africanos e repasses milionários

Os EUA usaram restrições de vistos e outras medidas contra países africanos para pressioná-los a aceitar deportados. Pessoas removidas dessa forma enfrentam um “limbo jurídico”, detidas sem acusação formal em locais onde têm poucos ou nenhum direito.

A investigação apontou que autoridades americanas procuraram 49 dos 54 países africanos para discutir a recepção de pessoas de terceiros países. O Escritório de Remigração, divisão criada pelo Departamento de Estado em maio de 2025, conduziu grande parte das conversas e dos pagamentos.

Christian Jove Ehrhardt, diplomata de 41 anos e diretor do escritório, visitou Camarões antes de o país assinar, em dezembro, um memorando para receber deportados. Uma semana depois, o governo camaronês também firmou um programa de assistência à saúde de cinco anos, no valor de quase US$ 400 milhões.

O Departamento de Estado indicou no mês seguinte que destinaria mais US$ 30 milhões ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) nos Camarões para “facilitar o retorno voluntário de refugiados e combater a imigração ilegal”. O primeiro avião com deportados chegou ao país em 14 de janeiro.

Em Palau, nação insular do Pacífico com menos de 18 mil habitantes, um acordo assinado em dezembro de 2025 prevê o recebimento de até 75 cidadãos de terceiros países em troca de US$ 7,5 milhões. Até agora, três pessoas foram enviadas ao arquipélago.

Essuatíni recebeu 32 deportados desde julho de 2025, de um total de até 160 previsto em acordo avaliado em mais de US$ 5 milhões. Documentos internos do Departamento de Estado indicam que US$ 81 milhões dos US$ 410 milhões planejados iriam diretamente aos governos signatários.

Mais de US$ 178 milhões foram destinados à Organização Internacional para as Migrações (OIM) e US$ 123 milhões ao ACNUR. O ACNUR afirmou não participar dos acordos bilaterais; a OIM declarou que aceita os recursos quando considera que sua atuação pode melhorar a vida dos migrantes afetados.

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