EUA deixam últimas bases no Iraque após duas décadas de guerra e ocupação

Vinte e três anos depois de invadir o Iraque com uma guerra fundada em mentiras, os Estados Unidos retiram seus últimos soldados do país. 

As tropas imperialistas deixam para trás centenas de milhares de mortos, milhões de pessoas expulsas de suas casas e um território devastado pela ocupação, que abriu caminho para a violência sectária e a ascensão do Estado Islâmico. A saída das últimas bases deve ser concluída nesta quarta-feira (30).

O governo de George W. Bush lançou a invasão em março de 2003 sob a alegação de que Saddam Hussein mantinha armas de destruição em massa e representava um risco para a segurança mundial. O arsenal nunca existiu. 

Mesmo sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, Washington derrubou o governo iraquiano, dissolveu as Forças Armadas e ocupou o país.

O Iraq Body Count, uma associação sem fins lucrativos, contabiliza mais de 200 mil civis mortos em episódios de violência desde o início da guerra. 

Outras estimativas, que incluem as mortes provocadas pela destruição do sistema de saúde, pela fome e pelo colapso dos serviços públicos, elevam esse número a centenas de milhares. 

A invasão também obrigou milhões de iraquianos a buscar abrigo em outras regiões do país ou no exterior. Cerca de 4.500 militares norte-americanos morreram no conflito. Os Estados Unidos retiraram suas tropas em 2011, mas retornaram três anos depois, quando o Estado Islâmico conquistou um terço do território iraquiano. 

A nova retirada foi acertada em 2024, durante o governo de Joe Biden, e concluída pela administração de Donald Trump. Abu Mojtaba al-Yasiri, comandante da Resistência Islâmica no Iraque, definiu a saída como uma “vitória histórica” e afirmou que o país encerra “uma página sombria” de sua história.

O fim da presença militar norte-americana devolve a Bagdá o controle das bases e amplia a margem do governo para conduzir sua política externa. País de maioria xiita e vizinho do Irã, o Iraque mantém relações políticas, religiosas e comerciais profundas com Teerã, que poderão ganhar novo impulso com o desaparecimento da tutela militar exercida por Washington.

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