As enchentes que atingiram o norte do Nepal deixaram pelo menos 579 mortos e 1.924 pessoas desaparecidas, segundo o balanço da Nepal Red Cross Society (NRCS) divulgado nesta sexta-feira (28). Até a atualização, 4.451 pessoas haviam sido resgatadas. O levantamento ainda é considerado provisório, enquanto equipes continuam as operações de busca, resgate e avaliação dos danos.
O desastre atingiu principalmente áreas próximas ao distrito de Rasuwa, na região do Himalaia, provocando graves danos a estradas, pontes, sistemas de eletricidade e redes de comunicação. A destruição da infraestrutura também dificulta o acesso das equipes de emergência às comunidades afetadas.
A Sociedade da Cruz Vermelha do Nepal afirma que a situação permanece crítica e que as necessidades humanitárias estão aumentando. Entre as prioridades estão alimentos, água potável, abrigos emergenciais, atendimento de saúde, instalações sanitárias e outros itens básicos.
De acordo com o relatório da Cruz Vermelha nepalesa, 6.755 integrantes do Exército, 4.473 policiais e 4.203 agentes da Força Policial Armada foram mobilizados para atuar nas áreas atingidas. A resposta envolve diferentes órgãos do governo e inclui operações de busca e resgate, avaliação dos prejuízos e distribuição de ajuda.
O governo também ativou seu Centro de Operações de Emergência em Saúde. Hospitais de referência foram colocados em regime de prontidão, com leitos reservados para atendimento gratuito de pessoas feridas ou afetadas pelo desastre.
A infraestrutura destruída, porém, representa um dos principais obstáculos à operação.
A Cruz Vermelha informa que múltiplas pontes foram levadas pelas águas e que importantes estradas foram interrompidas, deixando comunidades isoladas e dificultando tanto o levantamento dos danos quanto a chegada de suprimentos.
Até 28 de agosto, a Cruz Vermelha havia enviado às áreas afetadas 400 cobertores, 600 lonas, 500 sacos para acondicionamento, 300 colchões, 600 cordas, 1.540 bolsas para corpos, 25 macas, 25 kits de primeiros socorros, dez tendas, 50 banheiros emergenciais e 860 kits de higiene.
Água, abrigo e saúde estão entre as prioridades
A avaliação da NRCS aponta como necessidades imediatas a instalação de estruturas emergenciais de água, saneamento e higiene, atendimento de saúde, abrigos temporários, alimentos, distribuição de dinheiro e serviços destinados a reunir familiares separados pelo desastre.
A organização também prevê a mobilização de equipes de saúde para primeiros socorros e atendimento emergencial, além da continuidade das avaliações dos danos físicos e das necessidades das comunidades.
O risco ainda não está completamente encerrado. Autoridades nepalesas e chinesas precisaram monitorar novos riscos de inundação associados à formação de lagos de contenção provocados pelos deslizamentos. Na sexta-feira, operações de resgate chegaram a ser temporariamente interrompidas diante do temor de uma nova onda de água, antes de serem retomadas quando o risco foi considerado controlável.
A dimensão da tragédia também pode aumentar à medida que as equipes conseguem chegar a regiões que permanecem isoladas. A própria Cruz Vermelha ressalta que a coleta de informações sobre perdas humanas e materiais continua.
O desastre começou em 26 de agosto, quando uma enorme onda de água atingiu o sistema do rio Bhote Koshi, na região próxima à fronteira com o Tibete. As inundações e deslizamentos provocaram destruição em diferentes pontos do norte do país.
Uma avaliação inicial de especialistas apontou o colapso de uma geleira como provável gatilho para a enorme descarga de água, gelo, rochas e sedimentos que atingiu os vales. O episódio também reacendeu o alerta sobre os riscos associados ao derretimento das geleiras e à instabilidade das áreas montanhosas do Himalaia em um cenário de aquecimento global.