Em prisão domiciliar e inelegível, Collor fica fora da eleição de Alagoas sem deixar sucessor

O ex-presidente Fernando Collor. Foto: reprodução

A eleição de 2026 em Alagoas será a primeira disputa estadual desde 2002 sem uma candidatura de Fernando Collor de Mello e sem um sucessor político ligado à família. O ex-presidente cumpre pena em regime domiciliar em Maceió, está novamente inelegível e chega ao pleito sem a influência eleitoral que manteve no estado durante décadas. Com informações do Uol.

O último teste de Collor nas urnas ocorreu em 2022, quando concorreu ao governo pelo PTB e recebeu 14,71% dos votos válidos, seu pior resultado eleitoral em Alagoas. Embora tenha aderido ao bolsonarismo, ele não recebeu uma declaração de voto de Bolsonaro durante a campanha.

A trajetória política de Collor começou na Prefeitura de Maceió, que comandou entre 1979 e 1982. Depois, tornou-se deputado federal e governador de Alagoas, cargo que deixou para disputar a Presidência em 1989 com o slogan “o caçador de marajás”. Ele venceu Lula no segundo turno e se tornou o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura militar, mas sofreu impeachment em 1992.

Após cumprir o período de inelegibilidade, Collor tentou voltar ao governo alagoano em 2002 e perdeu para Ronaldo Lessa no primeiro turno, por 52,9% a 40,2%. Quatro anos depois, registrou sua candidatura ao Senado apenas 28 dias antes da votação, derrotou Lessa e retornou a Brasília.

Fernando Collor de Mello e Jair Bolsonaro sorrindo para a câmera
Fernando Collor de Mello e Jair Bolsonaro – Reprodução

Derrotas eleitorais, condenação e perda do império de mídia

Collor voltou a disputar o governo em 2010, mas recebeu 28,8% dos votos válidos e caiu no primeiro turno. Em 2014, conquistou a reeleição para o Senado com 55,59%. Já em 2018, registrou nova candidatura ao governo, porém desistiu em 18 de setembro, a menos de 20 dias da votação, após alegar que não conseguira os apoios esperados.

Depois da derrota de 2022, Collor participou da campanha do sobrinho Fernando Lyra para vereador de Maceió, ao lado de Thereza Collor. O sobrinho recebeu 569 votos e não se elegeu. Com o resultado, nenhum integrante da família permaneceu com mandato político.

O STF condenou o ex-presidente a oito anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Collor acabou preso em abril de 2025, mas deixou o presídio Baldomero Cavalcante cinco dias depois para cumprir a pena em casa por causa de transtorno bipolar, Parkinson e apneia do sono. A condenação envolve o recebimento e a ocultação de R$ 20 milhões em propina relacionada a contratos da UTC Engenharia com a BR Distribuidora.

Collor deve passar ao regime semiaberto ainda em 2026 e, devido à inelegibilidade, só poderá tentar nova candidatura em 2032. A TV Gazeta perdeu a condição de afiliada da Globo, enquanto o grupo de comunicação da família segue em recuperação judicial e paga credores. Bens do ex-presidente, da esposa e das filhas gêmeas também enfrentam bloqueios em processos trabalhistas, e o filho Fernando James assumiu a administração dos negócios familiares.

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