O presidente da China, Xi Jinping, aproveitou a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada nesta segunda-feira (31) em Bishkek, capital do Quirguistão, para projetar a relevância diplomática de Pequim. Em meio às contínuas disputas econômicas e políticas com os Estados Unidos, o líder chinês posicionou-se no centro de uma das principais plataformas multilaterais não ocidentais do planeta.
A foto oficial do encontro carrega forte peso geopolítico por ocorrer poucas semanas antes da reunião agendada entre Xi e o presidente norte-americano, Donald Trump, prevista para 24 de setembro em Washington.
Encontro com Putin e o fortalecimento das relações bilaterais
Durante a cúpula, Xi manteve uma reunião bilateral com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, o líder chinês declarou que as bases da parceria entre Pequim e Moscou continuam a se fortalecer.
Xi defendeu uma maior cooperação entre os dois países para reformar a governança global e consolidar uma ordem internacional multipolar e mais equilibrada.
Uma plataforma que vai além de Pequim e Moscou
Criada em 2001, a OCX conta atualmente com dez países membros, incluindo China, Rússia, Índia, Irã, Paquistão, Belarus e nações da Ásia Central. Embora não seja uma aliança militar moldada nos padrões da Otan, a organização tornou-se um fórum estratégico para governos que buscam maior autonomia em relação às instituições e à influência do Ocidente.
A presença de líderes com interesses complexos e, por vezes, divergentes revela a essência da diplomacia chinesa: ampliar sua capacidade de articulação internacional sem a necessidade de alianças formais e rígidas.
Divergências internas e interesses estratégicos
A participação do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, é um dos pontos centrais do evento. Apesar de Índia e China manterem disputas territoriais e estratégicas históricas, Nova Délhi busca preservar seus laços econômicos com Moscou e assegurar autonomia frente a Washington.
Para a Rússia, isolada por sanções ocidentais, a cúpula demonstra a manutenção de canais diplomáticos com grandes potências asiáticas. Já para o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, o fórum representa uma oportunidade de manter relações estratégicas em um momento de alta tensão com os Estados Unidos e Israel.
Recado direto para Washington
A demonstração de unidade em Bishkek ocorre em um momento delicado da relação sino-americana. Enquanto o Tesouro dos EUA defende novas barreiras comerciais contra produtos chineses devido ao superávit de Pequim, as duas potências tentam manter negociações para conter a escalada da guerra comercial.
Antes de sentar-se à mesa de negociações em Washington no final de setembro, Xi projeta uma imagem de liderança respaldada por nações de grande peso territorial, energético e populacional. A estratégia chinesa indica que, embora haja espaço para negociação bilateral com os EUA, Pequim atuará a partir de uma posição fortalecida por sua ampla rede de alianças na Eurásia e no Sul Global.