A militarização das escolas em São Paulo não pode ser tratada como uma simples política educacional: ela é expressão direta de um projeto político autoritário, excludente e profundamente antipopular. O governo Tarcísio de Freitas, alinhado ao legado do bolsonarismo, escolhe transformar a escola pública em espaço de controle e repressão, ao invés de garantir aquilo que é direito básico da juventude: educação de qualidade, crítica e emancipadora.
Essa política parte de uma lógica perigosa: a de que o problema da educação está nos estudantes. Ao invés de enfrentar a falta de investimento, a precarização das estruturas, os baixos salários dos professores e o abandono histórico das periferias, o governo opta por impor disciplina pela força, como se a juventude, majoritariamente pobre e negra, precisasse ser domesticada. Isso não é educação. Isso é controle social.
A militarização é, portanto, mais do que um modelo de gestão: é uma tentativa de silenciar a potência transformadora da escola pública. Porque uma escola que forma pensamento crítico, que incentiva organização estudantil, que produz consciência política, é uma ameaça para projetos autoritários. Não à toa, junto da militarização, avançam também a privatização, a terceirização e o sucateamento, um verdadeiro pacote de destruição da educação pública.
Existe um projeto em curso: enfraquecer a escola pública para justificar sua entrega ao mercado e, ao mesmo tempo, controlar ideologicamente a juventude. É a lógica do lucro acima da vida e da ordem acima da liberdade. E é exatamente por isso que essa batalha é central para o futuro do nosso estado.
Mas a história mostra que toda tentativa de calar a juventude encontra resistência. Foi assim nas ocupações de escolas, foi assim nas grandes mobilizações estudantis, e será assim novamente. A juventude paulista não aceitará ver seu futuro sendo decidido sem luta.
Derrotar a militarização das escolas passa por enfrentar esse projeto em todas as frentes. Nas escolas, fortalecendo os grêmios estudantis e a organização de base. Nas ruas, construindo mobilizações massivas contra o desmonte da educação. E também no campo político, derrotando eleitoralmente aqueles que governam contra o povo e contra a juventude.
É preciso afirmar com todas as letras: educação não é gasto, é investimento. Escola não é quartel. Estudante não é inimigo. O que precisamos é de mais professores valorizados, mais infraestrutura, mais acesso à cultura, à ciência e à tecnologia. Precisamos de uma escola que liberte, não que aprisione.
A luta contra a militarização é, no fundo, a luta por um outro projeto de sociedade. Um projeto onde a juventude tenha voz, tenha direitos e tenha futuro. E esse projeto só será construído com organização, consciência e enfrentamento.
Se querem transformar a escola em espaço de silêncio, nossa resposta será ainda mais barulho. Se querem impor medo, responderemos com luta. Porque a juventude não recua, e será linha de frente na derrota desse projeto autoritário e na construção de uma educação verdadeiramente popular, democrática e transformadora.