
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou neste sábado (10) que buscará a retomada de sanções dos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL), vença a eleição presidencial de 2026. Flávio disputa o segundo turno contra o presidente Lula (PT).
Em entrevista ao SBT News, Eduardo atribuiu ao governo Lula a revogação das medidas que os Estados Unidos haviam aplicado contra Moraes em 2025. Para ele, uma eventual troca de governo retiraria o que chamou de obstáculo à adoção de novas punições contra o magistrado.
“Com a mudança de presidente”, afirmou Eduardo, não existirá “mais esse obstáculo” para que Moraes volte a sofrer sanções. O ex-parlamentar disse que atuará diretamente junto a autoridades americanas para defender a medida.
“Eu [farei] gestões junto à Casa Branca [e ao] Departamento de Estado por essa pauta”, declarou. Eduardo vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e afirma ser alvo de perseguição política.
Sanções contra Moraes foram revogadas em 2025
Os Estados Unidos incluíram Moraes em sanções baseadas na Lei Magnitsky em 30 de julho de 2025 e revogaram a decisão em dezembro do mesmo ano. A norma previa congelamento de eventuais bens em território americano, restrições a transações financeiras e cancelamento de vistos.
Na época, Lula argumentou junto ao governo americano que a punição contra um magistrado brasileiro atingia a soberania do país. Eduardo citou essa atuação diplomática ao explicar por que pretende recorrer novamente à Casa Branca e ao Departamento de Estado.
O ex-deputado também declarou que espera receber “um indulto ou anistia” para voltar ao Brasil se Flávio Bolsonaro vencer a disputa. Ele disse que não cumprirá a pena de quatro anos e dois meses de prisão fixada pelo STF por tentativa de interferência no processo sobre a tentativa de golpe envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu não pretendo pagar uma cadeia por um crime que não cometi”, disse Eduardo. Ele defendeu que o Congresso aprove uma “anistia realmente ampla, geral e irrestrita” durante a transição e afirmou que voltaria em janeiro nessa hipótese.
Se o Congresso não aprovar a anistia, Eduardo disse contar com um indulto presidencial de Flávio. Nesta semana, Moraes expediu mandado de prisão contra o ex-deputado e determinou o início do cumprimento da pena, além do cancelamento de seus passaportes; como ele está nos Estados Unidos, a ordem não teve efeito prático imediato.