
A empresária Karina Gama, dona da produtora Go Up, negou ter usado emendas parlamentares para financiar “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu antes de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de parte da investigação que envolve a empresa.
Em entrevista exibida pela CNN Brasil, Karina afirmou que a obra não teve projeto público. “Não existe emenda [parlamentar] para ‘Dark Horse’. Nunca foi feito um projeto público para o filme”, disse.
Ela confirmou que a Go Up recebeu duas emendas indicadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), mas sustentou que os recursos se destinavam a iniciativas diferentes. Uma emenda, apresentada em 2023 e paga em 2025, financiaria um projeto de artes marciais; a outra seria destinada ao “projeto jovem empreendedor”.
Karina não informou os valores desses repasses. Sobre o longa, declarou que a produção recebeu recursos pessoais de Frias e de outras pessoas para cobrir despesas e a folha de pagamento.
Laranja, boi de piranha ou tentando se salvar?
A única conclusão que temos é que a história da lavanderia — digo, da peça publicitária de campanha mais cara da história — digo, do filme Dark Horse de Tróia — só piora a cada tentativa de explicação.
Ontem, Karina Gama foi à CNN… pic.twitter.com/EVNzuFP0jO
— O Jornaleiro (@ojornaleirobr) September 13, 2026
A empresária disse que a produtora recebeu R$ 645 mil no fim de 2025 para pagar salários. “Todas as pessoas que podiam contribuir contribuíram com o seu [dinheiro] pessoal, para o ‘Dark Horse’”, afirmou, ao citar a participação privada de Mário Frias.
Flávio Dino levantou o sigilo do material apreendido pela Polícia de São Paulo na produtora. No despacho, o ministro mencionou vazamentos seletivos relacionados ao caso e escreveu que a medida buscava preservar “a igualdade de todos perante a lei”.
A Go Up é alvo de dois inquéritos no STF. Um deles, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura o pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme sobre Bolsonaro.
O outro procedimento, relatado por Dino, investiga suspeitas de repasses ilegais de emendas do orçamento secreto de deputados federais do PL para iniciativas vinculadas a Karina Gama e à obra. A defesa da empresária classificou como positiva a abertura dos autos, negou irregularidades e afirmou que a medida permitirá analisar os fatos sem julgamentos antecipados.