Dino dá cinco dias para partidos do Centrão explicarem emendas

Ministro Flávio Dino, do STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu cinco dias para que Podemos e Solidariedade prestem informações sobre a participação de presidentes partidários na indicação de emendas parlamentares.

A decisão, publicada no domingo, estabelece multa diária de R$ 100 mil caso as siglas continuem sem responder. Dino também determinou a intimação pessoal de Renata Abreu, presidente do Podemos, e Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, com advertência expressa sobre a cobrança.

Em julho, o ministro intimou os dirigentes de todos os partidos a esclarecer se presidentes das legendas definiam, geriam, distribuíam ou operacionalizavam emendas. Podemos e Solidariedade foram os únicos partidos que não se manifestaram.

Avante, Cidadania, MDB, Missão, Novo, PCdoB, PDT, PL, PP, PRD, PSB, PSD, PSDB, PSol, PT, PV, Rede, Republicanos e União Brasil responderam ao STF. As legendas afirmaram que seus dirigentes não possuem competência para controlar ou indicar esses recursos.

Prédio do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Divulgação

Em outra determinação publicada no mesmo domingo, Dino ordenou que Câmara e Senado reconheçam a “nulidade absoluta” de qualquer “ato, tabela, expediente, comunicação, planilha, ofício ou solicitação” que atribua a presidentes partidários ou ex-parlamentares autoria, titularidade ou poder de indicação sobre emendas.

O ministro fundamentou a medida nas respostas enviadas pelas próprias legendas. Ao negarem que seus presidentes tenham poder para definir, gerir, distribuir ou operacionalizar emendas, os partidos afastaram a possibilidade de atribuir formalmente recursos a dirigentes sem mandato parlamentar.

Dino cobrou os esclarecimentos após o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmar que dirigentes partidários exercem ingerência sobre a distribuição de emendas mesmo sem ocupar cargos no Legislativo. O ministro relata a investigação sobre suspeitas de desvios desses recursos.

A Polícia Federal realizou operações contra Valdemar Costa Neto e o ex-deputado Eduardo Cunha sob suspeita de que ambos atuaram na indicação de recursos parlamentares sem ocupar cargo que lhes desse essa atribuição.

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