Deputado aliado de Flávio Bolsonaro destinou R$ 1 milhão a entidade ligada a “Dark Horse”

Marcos Pollon Flávio Bolsonaro
O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) e o senador e candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução/Redes Sociais

O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) reagiu nesta quinta-feira (10) à divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre o caso “Dark Horse”. Em uma longa nota, acusou a imprensa de produzir “fake news”, negou que recursos de uma emenda indicada por ele tenham chegado à entidade citada na investigação e encerrou a manifestação fazendo campanha para Flávio Bolsonaro. Segundo o Midiamax, o documento menciona uma emenda de R$ 1 milhão destinada por Pollon à Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Ferreira da Gama, também dona da produtora responsável por “Dark Horse”.

A relação entre Pollon, a ANC e a emenda, porém, não surgiu agora. A lista de deputados que destinaram emendas a entidades controladas por Karina Gama já incluía, além dele, Bia Kicis, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli. À época, também já era conhecida a versão de Pollon de que ele havia pedido o cancelamento da emenda e o redirecionamento do dinheiro. O relatório divulgado agora confirma que tanto os R$ 1 milhão indicados por Pollon quanto os R$ 150 mil destinados por Bia Kicis à ANC não chegaram a ser pagos.

Na nota desta quinta, Pollon afirmou que apresentou a emenda em 2023 para financiar o projeto “Heróis Nacionais”, cujo pagamento estava previsto para o início de 2024. Segundo o deputado, a proposta previa uma série documental sobre personagens da história brasileira, entre eles Padre José de Anchieta e Dom Pedro I, e não tinha relação com a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Ele afirma ainda que o projeto não saiu do papel e que posteriormente pediu ao governo de São Paulo que os recursos fossem destinados ao Hospital de Amor de Barretos.

O parlamentar também rebateu o questionamento sobre ter indicado, por Mato Grosso do Sul, recursos para um projeto a ser executado em São Paulo. Pollon sustenta que a emenda foi apresentada antes da decisão de Flávio Dino, de agosto de 2024, que impôs restrições ao envio de verbas para outros estados, e argumenta que iniciativas de abrangência nacional estariam fora dessa limitação. Essa é a versão apresentada pelo deputado. O dado objetivo registrado no relatório é que o repasse para a ANC não chegou a ser realizado.

A maior parte da nota, porém, foi dedicada a atacar a cobertura do caso. Pollon afirmou que setores da imprensa estariam interessados em “construir uma narrativa política” contra parlamentares bolsonaristas e acusou veículos de misturar projetos, datas e fatos. “Não escutem uma imprensa que mente e distorce os fatos todos os dias”, escreveu.

O texto terminou deixando o terreno da defesa da emenda e entrando diretamente na campanha presidencial. Pollon pediu que seus apoiadores compareçam às urnas em 4 de outubro, digitem 22 e elejam Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. A manifestação conecta a reação ao relatório da PF à reta final da eleição e transforma a resposta às suspeitas em peça de mobilização eleitoral.

A apuração sobre as entidades de Karina Gama já havia levado Dino a cobrar explicações de Pollon e outros deputados do PL sobre as emendas. A investigação busca saber se recursos públicos destinados a organizações ligadas à empresária tiveram finalidade distinta daquela formalmente declarada. Até o momento, a documentação citada não demonstra que os R$ 1 milhão indicados por Pollon tenham financiado “Dark Horse”; ao contrário, o valor não foi pago à ANC. A existência da emenda e sua inclusão no relatório, portanto, não equivalem à comprovação de desvio para o filme.

Metadescrição-chave:
Pollon reage a relatório da PF sobre Dark Horse, diz que emenda de R$ 1 milhão não foi paga, acusa imprensa de “fake news” e pede voto em Flávio Bolsonaro.

Metadescrições alternativas:

  1. Citado em relatório ligado a Dark Horse, Marcos Pollon nega repasse à entidade de Karina Gama e ataca a cobertura do caso.
  2. Deputado afirma ter redirecionado emenda de R$ 1 milhão e encerra resposta à PF fazendo campanha por Flávio Bolsonaro.
  3. Relatório registra emenda de Pollon a entidade ligada a Karina Gama, mas aponta que o valor não foi efetivamente pago.
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