
A vereadora de Praia Grande Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, liderava a eleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) neste domingo (4), com cerca de 1,7 milhão de votos na apuração parcial. A candidata superava nomes tradicionais da política paulista e despontava como o principal destaque individual da disputa.
Com 85% das urnas apuradas, Campopiano somava 1.658.428 votos para uma das 94 cadeiras da Alesp. Eduardo Suplicy (PT), que ocupava a segunda posição, aparecia mais de 1 milhão de votos atrás da vereadora do PL.
A votação leva Campopiano da Câmara Municipal de Praia Grande ao Legislativo estadual. A definição das cadeiras, porém, depende do sistema proporcional, que considera também o desempenho dos partidos e das federações na eleição.
Entre os candidatos mais votados também estavam Sofia Favero, Carlos Giannazi e Paula da Bancada Feminista, todos do PSOL. A apuração ainda poderia alterar posições e totais de votos até a conclusão da contagem.
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Declarações sobre colonização motivaram denúncia por racismo
Em maio, durante participação no podcast “RedCast”, Campopiano agradeceu a Deus pela colonização do Brasil e pela catequização dos povos indígenas. “Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias”, disse.
Na mesma fala, a vereadora afirmou que, sem a catequização, indígenas estariam “cometendo canibalismo” no país. Ela também mencionou, sem apresentar provas, sacrifícios, o consumo do braço de “irmãozinho” e o enterro de crianças vivas.
As declarações levaram a artista e liderança indígena Katú Mirim a registrar boletim de ocorrência em São Paulo por crime de racismo. Até a noite de domingo, Campopiano não havia se manifestado sobre o caso.
Durante a campanha, a candidata se apresentou como a “maior inimiga das feministas” em sua propaganda eleitoral. Campopiano também construiu proximidade política com o deputado federal Lucas Pavanato (PL), um dos nomes da direita paulista.