A cultura ganhou espaço destacado na agenda da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva nesta reta final das eleições. Em dois dias consecutivos, artistas, produtores culturais, movimentos sociais e representantes de diferentes segmentos participam de atividades destinadas a ampliar a mobilização em torno da candidatura e discutir as políticas públicas para o setor.
Na terça-feira (22), às 17h, o Espaço Cultural Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 460, Campos Elíseos), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em São Paulo, recebe uma plenária nacional com movimentos sociais, centrais sindicais, artistas e organizações da sociedade civil. Na quarta-feira (23), a partir das 19h, na Fundição Progresso (Lapa) no Rio de Janeiro, Lula participa do ato Cultura com Lula, voltado à apresentação de suas propostas para a área e à mobilização de personalidades culturais.
A sequência de atividades ocorre em meio a uma manifestação pública de apoio que reúne nomes de diferentes gerações e linguagens artísticas.
Movimentos sociais e cultura juntos em São Paulo
A atividade de terça-feira amplia esse arco de mobilização. A plenária no Espaço Elza Soares reunirá movimentos populares, centrais sindicais, juventudes, mulheres, artistas, estudantes, lideranças religiosas e organizações da sociedade civil.
Participam do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet, além de lideranças dos movimentos sociais. A atividade será transmitida pela internet.
A ofensiva ocorre em uma fase em que a campanha passou a explorar com maior intensidade redes de artistas e seus públicos. Segundo a Folha de S.Paulo, a campanha também vem mobilizando fã-clubes de artistas pop, como parte de uma estratégia de aproximação com eleitores mais jovens. Entre os nomes associados às iniciativas estão Marina Sena e Luísa Sonza.
Lula encontra artistas no Rio
Na quarta-feira, a mobilização ganha uma atividade específica no Rio de Janeiro. No ato Cultura com Lula, o presidente e candidato à reeleição apresentará propostas para o setor diante de artistas e personalidades culturais. Entre os nomes previstos para participar do encontro estão Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia.
A agenda dá sequência a uma aproximação que a campanha vem intensificando com o meio artístico. O objetivo é apresentar compromissos para um eventual novo mandato e, ao mesmo tempo, transformar o apoio individual de artistas em uma rede de mobilização capaz de alcançar públicos mais amplos.
A estratégia também dialoga com o peso do Rio na produção cultural brasileira, particularmente nas áreas de música, audiovisual, televisão, cinema, teatro e artes.
Cem nomes em manifesto de apoio
Um dos sinais da amplitude dessa mobilização foi o manifesto divulgado nos últimos dias com 100 nomes da cultura em apoio à reeleição de Lula. A lista reúne artistas, cineastas, escritores, produtores, diretores e representantes de diferentes áreas da produção cultural brasileira.
Entre os signatários estão o ator Caio Blat, o escritor Fernando Morais, cineastas como Tata Amaral, Laís Bodanzky e Joel Zito Araújo, as produtoras Lucy Barreto e Gabriela Gonçalves, o músico Lirinha, o diretor teatral Antônio Araújo, a artista Rosana Paulino e a liderança indígena Benki Ashaninka.
O manifesto reconhece medidas adotadas durante o atual governo, como a reconstrução do Ministério da Cultura, mas também apresenta uma agenda para o próximo período. Entre as reivindicações estão a regulamentação do streaming, medidas diante do poder das grandes plataformas digitais e uma política cultural articulada com educação, ciência e meio ambiente.
O apoio, portanto, aparece acompanhado de uma pauta concreta. Para parcela expressiva do setor, a disputa eleitoral também envolve a definição dos rumos das políticas públicas para a cultura.
Reconstrução e novos desafios
A política cultural tornou-se uma das áreas em que o governo Lula procura estabelecer uma diferença em relação ao período anterior. A recriação do Ministério da Cultura e a retomada de programas e mecanismos de financiamento marcaram o atual mandato.
Ao mesmo tempo, os próprios apoiadores apontam novos desafios. A regulamentação das plataformas de streaming, a remuneração de artistas no ambiente digital, a descentralização dos recursos e a articulação entre cultura e outras políticas públicas estão entre as questões que passaram a ocupar espaço na agenda do setor.
É nesse terreno que os dois eventos desta semana ganham significado político. A campanha procura transformar a rede de apoio construída entre artistas e produtores em mobilização eleitoral, enquanto parte desse mesmo setor utiliza o apoio à candidatura para apresentar reivindicações e pautar o próximo ciclo de políticas culturais.