
O Grupo Casas Bahia enfrenta dezenas de ações de despejo e notificações que podem encerrar ou antecipar contratos de aluguel de lojas, imóveis comerciais e galpões logísticos. A disputa ganhou peso porque a varejista incluiu a preservação desses endereços entre as medidas necessárias para manter a operação durante sua recuperação judicial.
Os processos por falta de pagamento atingem unidades em Osasco, Mogi das Cruzes, Cubatão, Guarujá, Diadema, Santo André, Jundiaí, Itatiba, Piracicaba, São Bernardo do Campo, Taboão da Serra, Marília, Itapevi, Ubatuba, Votorantim e Guarulhos, além de bairros da capital paulista. Dois dos casos envolvem shopping centers.
Um dos conflitos envolve dois galpões ocupados pela empresa, em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR), pertencentes ao fundo imobiliário HSI Logística. A gestora HSI informou que a companhia quitou integralmente os aluguéis de julho, mas ainda não havia pago os valores com vencimento em agosto.
A HSI notificou a Casas Bahia pela inadimplência e afirmou que pode tomar as medidas necessárias para defender os direitos do fundo, inclusive com eventual ação de despejo. Os dois galpões constam no pedido de recuperação judicial como imóveis essenciais, e a varejista não havia indicado intenção de rescindir os contratos ou desocupá-los.

Aluguéis posteriores à recuperação podem pressionar a operação
Nos documentos entregues à Justiça, a companhia afirma que as lojas físicas geram mais da metade de sua receita operacional. A empresa tenta usar a recuperação judicial para reestruturar uma dívida de cerca de R$ 17,3 bilhões, mas os contratos de locação continuam decisivos para a manutenção das vendas e da distribuição de produtos.
A recuperação judicial não impede automaticamente que proprietários retomem imóveis alugados. Dívidas de aluguel anteriores ao pedido podem se sujeitar às regras do plano de recuperação, mas os pagamentos que vencem depois do início do processo normalmente precisam seguir em dia. “Se o caixa está apertado, é aí que costuma ocorrer a ruptura”, afirmou o advogado Rafael Verdant, especialista em direito imobiliário.
A Casas Bahia ocupa 1,07 milhão de metros quadrados em empreendimentos industriais e logísticos no país, o equivalente a 2% da área total ocupada pelo segmento, segundo levantamento da Newmark. Desse total, 84% estão em imóveis de alta especificação técnica e 78% pertencem a fundos de investimento imobiliário.
São Paulo concentra 358 mil metros quadrados ocupados pelo grupo, com maior presença em Jundiaí, onde a companhia mantém 222 mil metros quadrados. Nos escritórios corporativos, a varejista ocupa cerca de 23 mil metros quadrados, incluindo 16,5 mil metros quadrados na região da Berrini; uma eventual desocupação desse prédio elevaria a vacância local de 14% para 16%.