Como o atraso da votação sobre a escala 6×1 pode beneficiar Lula

Presidente Lula durante audiência no Palácio do Planalto
Presidente Lula durante audiência no Palácio do Planalto. Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles

Uma ala do PT avalia que a votação da PEC do fim da escala 6×1 somente depois do primeiro turno pode oferecer ao presidente Lula um tema de campanha na fase decisiva da eleição presidencial. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicou que levará a proposta ao plenário após a primeira etapa da disputa.

Nos bastidores, petistas sustentam que uma eventual aprovação da proposta entre os dois turnos daria a Lula um argumento para confrontar o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como candidato do partido à Presidência. A avaliação é que o debate sobre jornada de trabalho teria maior visibilidade perto da votação final.

O grupo considera que uma deliberação antes do primeiro turno reduziria o impacto eleitoral da medida. Nessa leitura, a repercussão da aprovação poderia perder força até a segunda rodada da eleição.

A PEC avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda não chegou ao plenário. A proposta busca encerrar a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, conhecida como 6×1.

Lula criticou adiamento da votação no Senado

Lula criticou indiretamente Alcolumbre pela ausência de votação no plenário durante entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), na sexta-feira (04). O presidente disse esperar que o Senado analise o texto depois do primeiro turno.

“Passou só na comissão e não foi ao plenário. Não sei qual razão o presidente do Senado teve pra fazer isso. Ele disse aos senadores que, assim que terminar o primeiro turno das eleições, ele vai colocar em votação”, afirmou Lula.

O presidente também lamentou o adiamento, embora tenha citado o avanço da proposta na comissão. “Foi uma pena, mas, de qualquer forma, foram aprovadas as coisas importantes que a gente queria”, disse.

Alcolumbre comanda a pauta do Senado e definirá quando a PEC seguirá para votação dos senadores. Para alterar a Constituição, o texto precisa obter ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos no plenário da Casa.

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