Como a raiva tomou conta do discurso político nos Estados Unidos

Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Joel Angel Juarez/The Washington Post via Getty Images

A raiva nos discursos feitos no plenário do Congresso dos Estados Unidos atingiu em 2025 o maior nível em cerca de 150 anos, segundo um estudo que analisou registros parlamentares desde a década de 1870 e milhões de publicações nas redes sociais. O trabalho documenta uma forte escalada dessa emoção na comunicação política americana na última década.

O levantamento “A ascensão da Raiva: Emoção e visões políticas”, publicano no Laboratório de Economia Social de Havard, combina discursos parlamentares, publicações de integrantes do Congresso, posts de eleitores no X, comentários no Reddit e outros registros políticos.

Entre eleitores que publicam sobre política no X, a proporção de frases que expressam raiva cresceu 35% entre 2013 e 2025. Nas contas de integrantes do Congresso, a alta chegou a 72%. Nos próprios discursos parlamentares, o avanço foi de 50% no mesmo período.

Os pesquisadores concluíram que o aumento não decorre apenas da entrada de usuários mais agressivos nas plataformas, mas sim do fato de que as mesmas pessoas passaram a manifestar mais raiva ao longo do tempo, inclusive quando escreviam sobre temas semelhantes. O estudo encontrou também um incentivo de circulação aonde publicações raivosas de eleitores e congressistas receberam cerca de 60% mais repostagens que mensagens sem emoção identificada.

Supremacistas
O emblema na blusa de um membro do grupo fascista Patriot Front. Ao centro do emblema, está presente a machadinha usada por Mussolini para representar o Fascismo. Foto: Nathan Howard/Reuters

Entre políticos, a intensidade da raiva acompanha os ciclos de poder. O partido que perde a Casa Branca tende a se tornar mais raivoso e permanece nesse patamar durante o período em que está na oposição. Entre os eleitores, porém, a tendência de alta aparece nos dois principais campos partidários e não se inverte simplesmente com a troca de presidente.

Para classificar os textos, a equipe utilizou inteligência artificial para identificar oito emoções, entre elas raiva, medo, alegria, esperança, orgulho e gratidão. Os autores também realizaram experimentos para medir como diferentes estados emocionais alteram opiniões sobre políticas públicas.

Os resultados indicam que emoções negativas podem elevar o apoio ao protecionismo, a políticas migratórias restritivas e à redistribuição de renda. Emoções positivas reduziram o apoio ao populismo. A alta da raiva apareceu ainda entre diferentes faixas etárias, gêneros, níveis de escolaridade e áreas urbanas e rurais, levando os autores a concluir que a mudança atravessa diferentes grupos do eleitorado americano.

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