
O cientista político Dawisson Belém Lopes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fez uma projeção com base na nova pesquisa Quaest e concluiu que Lula (PT) chegaria ao fim do primeiro turno com uma vantagem de cerca de 8 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro (PL), caso os percentuais atuais fossem reproduzidos nas urnas. A conta ajuda a dimensionar o tamanho da dificuldade que o bolsonarista teria para reverter o cenário numa eventual segunda rodada.
Na Quaest divulgada nesta segunda-feira (7), Lula aparece com 36% das intenções de voto, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury (Avante) registra 8%, enquanto 10% dos entrevistados permanecem indecisos. A partir desses números, Lopes estima que aproximadamente 30 milhões de votos ainda estariam em disputa num segundo turno.
Segundo o professor, para superar a vantagem inicial de Lula, Flávio teria de conquistar cerca de dois terços desse contingente. “Em tese, 2/3 é muita coisa”, reconheceu Lopes ao discutir a própria projeção. Ele também ressaltou que estava apenas tentando “dar materialidade ao que vem pela frente”, e não fazendo uma previsão sobre o resultado da eleição.
A conta coloca Augusto Cury entre os personagens relevantes dessa redistribuição. “Indecisos + Cury perfazem aprox. 20 milhões de votos”, escreveu Lopes. Questionado diretamente sobre o escritor, respondeu: “Cury é uma das chaves desse processo”. Isso não significa, porém, que os votos do candidato seriam automaticamente transferidos para Flávio ou Lula caso ele fique fora do segundo turno.
A julgar pelos números atuais da Quaest, Lula terminaria 1o turno com 8 milhões de votos de vantagem sobre FB.
Restariam +- 30 milhões de votos em disputa no 2o turno.
FB teria de conseguir 2/3 desse montante para a virada.
Indecisos + Cury perfazem aprox. 20 milhões de votos.
— Dawisson Belém Lopes (@dbelemlopes) September 8, 2026
A simulação direta da própria Quaest mostra uma disputa mais apertada, com Lula e Flávio Bolsonaro empatados com 41% cada em um eventual segundo turno, enquanto 13% dizem que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam e 5% seguem indecisos. A projeção de Lopes parte de outra lógica: usa os números do primeiro turno para calcular quanto Flávio precisaria avançar entre os eleitores que hoje não estão com nenhum dos dois.
Lopes é professor de Política Internacional e Comparada no Departamento de Ciência Política da UFMG e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. Sua trajetória acadêmica inclui passagens como pesquisador visitante por instituições na Alemanha, Bélgica e Reino Unido. Embora sua especialização principal não seja comportamento eleitoral, ele acompanha e comenta pesquisas e disputas presidenciais brasileiras há anos.
A comparação com 2022 ajuda a dimensionar a diferença. Lula terminou o primeiro turno daquele ano com cerca de 6 milhões de votos de vantagem sobre Jair Bolsonaro e venceu o segundo turno com pouco mais de 2 milhões. Na projeção atual de Lopes, a vantagem inicial sobre Flávio seria maior, de aproximadamente 8 milhões. O próprio professor, ao comentar a possibilidade de reversão, resumiu: “2/3 é muita coisa”.