
A fundadora e CEO global da StandWithUs, Roz Rothstein, disse que gostaria de levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Israel para que ele conhecesse o país e os efeitos do ataque do Hamas em 7 de Outubro. Em entrevista em São Paulo, a dirigente do grupo pró-Israel criticou a posição do governo brasileiro sobre a guerra na Faixa de Gaza. Com informações de Folha de S.Paulo.
“Eu diria: vamos para Israel juntos. Vamos dar uma olhada nas coisas que você acha que sabe”, afirmou Rothstein. Ela sugeriu que Lula converse com árabes-israelenses, visite o memorial do festival Nova e veja os rostos das vítimas assassinadas no ataque promovido pelo Hamas.
Lula se tornou persona non grata em Israel em 2024, depois de comparar a ofensiva das Forças Armadas israelenses em Gaza ao Holocausto. O presidente também classificou as ações de Israel no território palestino como genocídio, avaliação rejeitada pela CEO da StandWithUs.
Rothstein declarou que Israel não cometeu genocídio nem crimes de guerra em Gaza e sustentou que o país busca destruir o Hamas e recuperar os reféns sequestrados. “Genocídio requer intenção de cometer genocídio, como os nazistas”, disse.
StandWithUs contesta críticas a Israel e cobra ação contra o Hamas
A organização foi criada nos Estados Unidos em 2001 por Rothstein e seu marido, Jerry Rothstein, durante a Segunda Intifada. Inicialmente voltada a angariar apoio a Israel, a StandWithUs ampliou sua atuação em universidades norte-americanas e passou a denunciar episódios de antissemitismo.
Rothstein afirmou que os casos levados ao departamento jurídico da entidade aumentaram depois de 7 de Outubro. “Se tínhamos seis casos por semana no nosso jurídico, esse número triplicou ou quintuplicou”, declarou, ao atribuir o crescimento a atos agressivos contra judeus e apoiadores de Israel.
A dirigente também negou que a ONG receba recursos dos governos de Israel ou dos Estados Unidos. “Nunca recebemos um centavo”, afirmou, dizendo que as contas da entidade são públicas por se tratar de uma organização registrada nos EUA e que atua de forma independente.
Ao tratar da crise humanitária em Gaza, Rothstein contestou que Israel bloqueie a entrada de ajuda e responsabilizou o Hamas pela guerra e por obstáculos à distribuição de suprimentos. Ela reconheceu que a quantidade de assistência não atende ao patamar considerado necessário pela ONU, mas afirmou que carregamentos entram no território.
Questionada sobre o crescimento de candidaturas democratas críticas a Israel nos Estados Unidos, Rothstein disse que a preocupação com os palestinos deveria incluir a atuação do Hamas, que governa Gaza. Para ela, os críticos precisam considerar o massacre de cerca de 1.200 pessoas e os sequestros cometidos no ataque de 7 de Outubro.
Rothstein defendeu a manutenção do apoio militar dos Estados Unidos a Israel e chamou o país de um dos principais aliados de Washington. Ela também reconheceu problemas de antissemitismo na direita norte-americana ao citar Nick Fuentes, Candace Owens e Tucker Carlson, mas negou que Elon Musk tenha feito uma saudação nazista em um comício.