
O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL-SC) voltou a pressionar aliados da extrema-direita neste sábado (25), em meio ao racha público no bolsonarismo envolvendo a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. Pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para rebater críticas e afirmar que “grupo não se faz de oportunistas”.
A declaração ocorre após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagir à proposta de Carlos de fazer um “levantamento” de correligionários que não divulgam, na internet, a candidatura de Flávio à Presidência. A iniciativa abriu nova frente de tensão dentro do PL e expôs a disputa por protagonismo entre integrantes da família Bolsonaro e parlamentares influentes nas redes.
“Luto até hoje para ver meu país livre, assim como Jair Bolsonaro e as centenas de presos políticos no Brasil, e assim seguirei fazendo. Grupo não se faz de oportunistas; aliás, pode até ser, mas a sua essência não pode ser perdida porque há alguém vendando seus olhos. O Brasil é muito maior e merece muito mais do que isso! Assim foi com. Jair Bolsonaro, e assim as tias do zap e os tios do churrasco querem e sempre lutaram por nossa amada nação”, escreveu Carluxo.
Luto até hoje para ver meu país livre, assim como Jair Bolsonaro e as centenas de presos políticos no Brasil, e assim seguirei fazendo. Grupo não se faz de oportunistas; aliás, pode até ser, mas a sua essência não pode ser perdida porque há alguém vendando seus olhos. O Brasil é…
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) April 25, 2026
Na sexta-feira (24), Nikolas afirmou que vem sendo provocado “há três anos”, mas disse que há “um limite”. O deputado também rebateu a ideia de que apoio político se mede apenas por postagens diárias nas redes sociais.
“Postar você todos os dias, qualquer um faz. Porque isso é fácil. Mas conquistar os votos, através das ideias que você representa, isso sim é um trabalho efetivo, e que poucos fazem, porque exige trabalho, preparo e inteligência” afirmou Nikolas.
Carlos, por sua vez, sustenta que o levantamento serviria para levar o tema à executiva partidária e “corrigir” a postura de aliados que, segundo ele, não estariam vestindo a camisa da pré-candidatura de Flávio.
“Quem quer vencer precisa agir, comunicar e vestir a camisa. Neste momento, muitas vezes, basta o básico: marcar posição e se manifestar com… postagens. Seguimos tentando ajudar a manter vivos politicamente, inclusive muitos que por algum motivo ignoram Flávio Bolsonaro e não dão bola para a situação do Brasil”, completou Carlos.
A crise também envolve Eduardo Bolsonaro, que no início do mês publicou um longo desabafo contra Nikolas. Radicado nos Estados Unidos, o ex-deputado chamou o parlamentar mineiro de “versão caricata de si mesmo” e afirmou que ele estaria desrespeitando sua família.
“Risinho de deboche para mim, Nikolas? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo. Não é, nem de longe, o menino que conheci, apoie e acreditei. Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente”, afirmou Eduardo Bolsonaro.
A divergência começou após Nikolas publicar um vídeo de apoio a Jair Bolsonaro a partir de um perfil criticado por Eduardo. “Denunciei que o Space Liberdade não votará em Flávio Bolsonaro, ao menos no primeiro turno. Adivinhem quem prontamente compartilhou o perfil no mesmíssimo dia? Esta é só mais uma das várias coincidências do pessoal que pede ‘união da direita’”, discorreu Eduardo.
Em entrevista ao Globo, Nikolas se definiu como “atacante”, disse sofrer “ataques unilaterais” e criticou aliados que “se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”. Para ele, são os “experts em afastar as pessoas”.