Campanha de Flávio Bolsonaro entra em choque após abertura do caso “Dark Horse”

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Felipe Iruatã/Folhapress

A confirmação pública de que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado pela Polícia Federal no caso “Dark Horse” provocou um bate-cabeça dentro de sua campanha presidencial nesta sexta-feira (11). Enquanto uma ala do QG tentou negar que o candidato seja alvo do inquérito, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), adotou outra estratégia e procurou minimizar o impacto político da revelação. As informações são do Estadão.

A investigação foi aberta por André Mendonça em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas aos recursos de Daniel Vorcaro destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro. A condição de Flávio Bolsonaro como investigado só se tornou pública nesta semana com a abertura dos autos.

Um dia depois da decisão que autorizou o inquérito, ainda em julho, Flávio Bolsonaro negou categoricamente que estivesse sob investigação. “Gente, eu não tenho uma investigação contra mim. Eu não sou investigado em absolutamente nada, nada. Não tem uma investigação formal contra mim. Não tem nada, absolutamente nada contra mim”, afirmou em uma transmissão nas redes sociais.

A negativa passou a ser repetida por integrantes de sua campanha mesmo depois de os documentos confirmarem formalmente a investigação. Rogério Marinho seguiu outra linha. Disse que o assunto já vinha sendo tratado pela imprensa havia meses e acusou veículos de promoverem um “pré-julgamento”. Segundo ele, Flávio Bolsonaro “não geriu, não recebeu, não operou nem administrou os recursos do filme”.

Mais tarde nesta sexta, o próprio candidato deixou de negar a existência do inquérito e afirmou receber a divulgação com “muita tranquilidade”. Flávio Bolsonaro passou a defender a retirada dos sigilos e sustentou novamente que não houve irregularidade no financiamento da produção. A mudança de discurso ocorre depois de meses de negativas e explicações sucessivamente revistas à medida que novos documentos e mensagens se tornaram públicos.


Em 13 de maio, horas antes da divulgação de mensagens sobre a captação de recursos para “Dark Horse”, Flávio Bolsonaro também negou ter pedido dinheiro a Vorcaro. “É mentira, de onde você tirou isso?”, disse ao ser questionado por um jornalista. Pouco depois, vieram a público mensagens e um áudio em que ele cobrava pagamentos do então banqueiro. “Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”, afirmou.

Em outra mensagem, escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”. A PF afirma que Flávio Bolsonaro aparece como “interlocutor direto” de Vorcaro nas tratativas sobre o filme, com cobranças de pagamentos, reuniões e acompanhamento da produção.

Uma semana após a divulgação inicial das conversas, Flávio Bolsonaro também confirmou ter ido à casa de Vorcaro quando o banqueiro usava tornozeleira eletrônica. Disse que procurou o empresário para encerrar a relação e buscar outro financiador para o filme. O episódio já havia produzido preocupação entre aliados, que temiam novas revelações durante a campanha eleitoral.

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