Brasileiros deportados pelos EUA relatam envio forçado à Libéria e à Guiné Equatorial

Paola Santos, brasileira deportada dos Estados Unidos para a Libéria
Paola Santos, brasileira deportada dos Estados Unidos para a Libéria. Foto: Reprodução

A mineira Paola Santos, de 21 anos, relata que os Estados Unidos a deportaram para a Libéria após ela passar um ano e três meses sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, o ICE. Ela vivia em Massachusetts havia cinco anos, onde trabalhava com limpeza de obras, e entrou no país pela fronteira com o México.

Paola contou que agentes a colocaram em um avião sem informar o destino. “Falei com ele: ‘Se você não me falar para onde você está me mandando, eu não irei descer do ônibus’. E ele: ‘Se você não descer por vontade própria, a gente vai ter que fazer uso de força’”, lembrou. Após 16 horas de viagem, com pés, mãos e cintura algemados, ela ouviu dos agentes: “Bem-vindos, vocês estão na Libéria”.

Antes do embarque, Paola passou por centros de detenção em Massachusetts, Connecticut, Vermont, Texas e Louisiana. Ela afirma que tinha permissão para trabalhar no estado onde morava, mas uma operação do ICE levou à prisão.

Quase 25 mil imigrantes já foram deportados pelo governo Donald Trump para países que não são suas nações de origem. Em parte desses casos, as pessoas pediram asilo nos EUA e a Justiça americana impediu o retorno ao país natal por risco de violência ou perseguição política; o governo então buscou outros destinos para removê-las. O Itamaraty afirmou que não recebeu notificação sobre o caso de Paola, nem dos países envolvidos nem da brasileira ou de sua família.

Pietro Graza de Lima foi deportado pelos EUA para Guiné Equatorial. Foto: Reprodução/TV Globo

Pietro relata retirada violenta de avião e permanência em hotel na Guiné Equatorial

O pernambucano Pietro Graza de Lima, que vivia na Flórida, integrou um grupo levado inicialmente à Libéria. Ele e outras quatro pessoas resistiram a desembarcar, e afirma que agentes os retiraram à força da aeronave. “Nós ficamos com hematomas no corpo, nos jogaram praticamente na pista do avião”, disse. Segundo ele, um representante liberiano recusou a entrada do grupo.

O avião voltou a decolar, mas pousou na Guiné Equatorial. Pietro contou que policiais encapuzados e armados aguardavam os deportados e que eles desistiram de resistir. Ele está em um hotel, sob vigilância e sem liberdade para circular. Em resposta ao Fantástico, o Itamaraty disse que o embaixador brasileiro no país recebeu a informação de que Pietro está em boas condições de saúde e que autoridades devem facilitar uma visita consular.

Pietro havia deixado o Brasil após sobreviver a uma emboscada no Recife, na qual levou sete tiros, e pediu proteção nos EUA ao alegar risco de assassinato caso retornasse. Em Orlando, trabalhou como cozinheiro, perdeu o passaporte e acabou preso pelo ICE. No processo migratório, tentou obter asilo, mas o pedido não impediu a deportação.

Outro brasileiro, Alex Pereira Alves, está preso em Adelanto, na Califórnia, e tenta evitar o envio à Guiné Equatorial. Ele pediu asilo há dez anos por ser homossexual e alegar perseguição no Brasil. A advogada Jane Oak disse que agentes prenderam Alex poucos minutos depois de ele se apresentar a uma convocação migratória. A advogada da Human Rights First, Savi Arvey, afirmou que o governo Trump firmou acordos com mais de 35 países para receber deportados, enquanto os governos da Libéria e da Guiné Equatorial não responderam o que farão com os brasileiros.

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