O grupo católico Bispos do Diálogo pelo Reino emitiu nota, nesta sexta-feira (21), em que rechaça o “conservadorismo autoritário” e, citando o período eleitoral, diz renovar seu “pacto pela vida, pela democracia, pela soberania e pela defesa da casa comum”.
O texto também ressalta que o grupo não tem partido, mas que está “do lado dos pobres, de quem os respeita e defende; de quem defende a democracia e a soberania do país; de quem é contra qualquer postura fascista; de quem é contra a manipulação política da religião; de quem é contra a avalanche de mentiras e disseminação do ódio pelas avenidas digitais”.
Por isso, prossegue, “incentivamos cada cidadão a fazer uma escolha consciente e lúcida de candidatas e candidatos comprometidos com as causas populares, com o bem comum e com a proteção de nossa casa comum”.
Ao mesmo tempo, defende as “inúmeras pastorais sociais, juntamente com vários movimentos populares, pelo exemplo dado no enfrentamento da mineração predatória, do agronegócio sem critério, de situações diversas no mundo do trabalho, das violências contra as mulheres, os povos originários, os afrodescendentes, a população LGBTQIAPN+, entre outros”.
Conforme noticiou a Folha de S.Paulo, os signatários não a assinaram individualmente a nota por temer represálias. Em 2022, eles também se manifestaram neste mesmo sentido.
“Conservadorismo autoritário”
Citando carta do Papa Leão 14, a nota afirma que em “cada época paira o risco de se construir um mundo desumano e mais injusto”.
Ainda em referência a um pedido do pontífice, o texto prega que seja evitada “a idolatria do lucro, que sacrifica os fracos; a uniformidade que anula as diferenças; a pretensão de uma linguagem única —mesmo digital— dedicada a traduzir tudo em dados e desempenhos, inclusive o mistério da pessoa”.
Na sequência, assinala que essa realidade “encontra eco no coração de pessoas com mentalidades fechadas num conservadorismo autoritário que, lamentavelmente, através das redes e alguns dos meios de comunicação de inspiração católica, incluindo alguns membros dos ministérios ordenados, religiosos e leigos, promovem devocionismos, discursos superficiais e violentos contra pessoas que testemunham a fé no meio dos pobres, na defesa da democracia e das pautas ambientais”.
O grupo completa apontando que essas pessoas “são indiferentes e rejeitam as orientações do magistério da Igreja, alimentando bolhas alienadas e alienantes no ambiente sócio-eclesial, se alimentam do ódio e alimentam o ódio contra aqueles e aquelas que têm uma vivência de Igreja comprometida com a transformação social e com o cuidado da criação, elas revelam uma agressividade que fere as pessoas, rompe a comunhão e enfraquece o profetismo eclesial”.
A carta salienta, ainda, que “em tempo de eleições, tais situações tendem a aumentar. Sendo assim, renovamos nosso pacto pela vida, pela democracia, pela soberania e pela defesa da casa comum. O tempo atual exige de todos nós cristãos e da sociedade brasileira, muita coragem para gestar um projeto de país que não pactue com a grave injustiça social que sempre nos acompanhou”.